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Orientador(es)
Resumo(s)
Como é bem reconhecido, inclusivamente pelo próprio autor, a obra literária de Julio Cortázar deve muito à literatura surrealista, à literatura fantástica e à literatura existencialista. Neste trabalho farei referência, sobretudo, aos pontos que ligam a narrativa de Cortázar com a literatura surrealista e particularmente com a obra literária de Breton. O maravilhoso-quotidiano, os encontros de rua inesperados e maravilhosos, a “beleza convulsiva”, o “amour fou” são também abordados por Cortázar nas suas narrativas. Não pretendo com isto expressar que a escrita de Cortázar seja surrealista, muito pelo contrário, esta é uma escrita do seu próprio tempo, mas que é devedora dessa técnica surrealista libertadora. Os surrealistas buscaram libertar a linguagem da sua estrutura racionalista e burguesa ocidental, mas a Cortázar isso não lhe bastava, uma vez que qualquer linguagem remete inevitavelmente a uma realidade “Lenguaje quiere decir residencia en una realidad, vivencia en una realidad […] no basta com querer liberarlo de sus tabues. Hay que re-vivirlo, no re-animarlo”3. Era, então, necessário mudar essa realidade, vê-la de outra maneira. A partir daí, Cortázar traçou o seu próprio rumo. Tomou a linguagem e envolveu-a de ambiguidade, de fragmentação de discursos, de pluralidades de vozes, de modo a reflectir o caos da realidade e a solidão do sujeito que nela reside. Faz, portanto, o apelo directo ao absurdo, ao impossível, que são as únicas formas de romper os limites do habitual e do quotidiano e expressar o que não se pode dizer, o inefável, para que por fim se rompa “este absurdo infinito” que é viver.
Descrição
Palavras-chave
Julio Cortázar Literatura argentina Romances Personagens femininas Relação homem-mulher Erotismo na Literatura Surrealismo na Literatura Análise literária
