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Materiais e Técnicas da Pintura a Óleo em Portugal (1836-1914): Estudo das fontes documentais

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Resumo(s)

O principal objectivo desta tese é apresentar o primeiro estudo sistemático sobre os materiais e as técnicas da pintura a óleo, em Portugal, tendo por base fontes documentais. O período analisado vai desde a criação das Academias de Belas Artes de Lisboa e do Porto, em 1836, até ao início da Primeira Guerra Mundial, em 1914. Este trabalho contempla quatro temas fundamentais: 1) a transmissão e difusão do conhecimento a partir da literatura técnica, onde se incluem manuais e tratados de pintura; 2) o ensino e os recursos disponibilizados aos estudantes de pintura portugueses nas Academias de Belas Artes; 3) os materiais da pintura a óleo descritos ou indicados nas fontes: os seus usos, propriedades e problemas, como a alteração de cor, a autenticidade e a adulteração; 4) o acesso aos materiais da pintura em Portugal. As informações que suportam esta investigação foram reunidas e introduzidas numa base de dados a partir da documentação consultada em arquivos e bibliotecas. Os documentos analisados vão desde fontes manuscritas, tais como, programas curriculares, relatórios de professores, correspondência, atas, inventários, livros de contabilidade e faturas, até fontes impressas, incluindo manuais de pintura, tratados, dicionários, enciclopédias, publicações periódicas, almanaques do comércio, anúncios publicitários e catálogos de fornecedores. Tendo como base os quatro temas investigados pode concluir-se que: 1) o conhecimento técnico era transmitido sobretudo através da tradição oral; o número de manuais e tratados escritos em português era muito reduzido; a maior parte dos manuais identificados nas bibliotecas das Academias eram em língua francesa, tendo os manuais ingleses uma presença pouco significativa; 2) o ensino da pintura era baseado no exercício da prática, seguindo os exemplos dados pelos mestres; 3) apesar das fontes não mencionarem nenhum material exclusivamente português, foi identificada terminologia sem equivalência direta em francês ou inglês; a terminologia usada para designar os materiais de pintura apresentava os mesmos problemas de interpretação que a identificada nas fontes coevas francesas e inglesas; o problema da adulteração e substituição de materiais de pintura por outros de menor qualidade foi extensivamente descrito nas fontes portuguesas, tal como se verificara nas francesas e inglesas; 4) no período estudado não se encontraram produtores portugueses exclusivamente dedicados aos materiais da pintura; as papelarias e outras casas comerciais forneciam materiais para artistas de grandes marcas francesas e inglesas, como a Lefranc, a Winsor & Newton e a Roberson; embora haja evidências da produção em Portugal de pigmentos, óleos e vernizes, o seu uso na pintura de cavalete permanece por esclarecer. Esta tese apresenta contributos significativos para um maior entendimento da formação dos pintores portugueses, das suas influências técnicas e do acesso aos seus materiais, situando a pintura portuguesa a óleo, do século XIX e inícios do século XX, num contexto mais alargado, tanto nacional como internacionalmente.

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pintura a óleo materiais e técnicas fontes documentais ensino da pintura fornecedores de materiais

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