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Resumo(s)
A presente dissertação tem como objecto de estudo o Hospital Real de Todos-os-
Santos e a sua actividade no terceiro quartel do século XVIII, numa leitura que não
partilha da interpretação. difundida por alguns trabalhos historiográficos, de que o
Terramoto de 1755 ditou, pela escala de destruição que lhe está associada, o fim da
instituição.
O Hospital Real de Todos-os-Santos, fundado em Lisboa, em 1492, por D. João II,
surgiu no âmbito da reforma dos pequenos e inoperantes hospitais medievais. Primeira
grande estrutura hospitalar de uma Lisboa cosmopolita que se assume como plataforma
de contacto entre o velho e o novo mundo, o Hospital revela influência indiscutível da
arquitectura hospitalar de tipologia cruciforme, cuja origem se enquadra no
Quattroeento florentino, bem como uma percepção humanista do homem, enquanto ser
a quem devem ser facultadas respostas terrenas à dor, ao sofrimento, à marginalização.
Instituição de iniciativa régia, o que a distingue das suas congéneres ocidentais, o
Hospital Real de Todos-os-Santos assumiu-se como uma das primeiras instituições
hospitalares medicalizadas do seu tempo, distinguindo de forma muito clara. o que é
inovador, a prestação de cuidados hospitalares tendentes a promover a recuperação do
enfermo, de intervenções outras. a situar no campo da assistência social.
A partir de documentação integrada no fundo documental «Hospital de S. José» e do
trabalho de autores de referência como Augusto da Silva Carvalho, Fernando da Silva
Correia e Mário Carmona, o presente estudo esboça um quadro geral sobre os mais de
dois séculos e meio de vida da instituição, defendendo que o «esprital grande de Lixboa» continuou a ser, até à abertura do hospital Real de S. José, em 1775, a
instituição primeira no que concerne à prestação de cuidados de saúde em Lisboa. A
abordagem ás duas décadas que medeiam entre 1755 e 1775 revela não um
estabelecimento hospitalar que a catástrofe de 1 de Novembro eclipsou, mas uma
instituição que respondeu positivamente ás medidas de emergência tomadas pelo
gabinete de Sebastião José de Carvalho e Melo.
Contrastando com a ideia de destruição do edificado e de anarquia administrativa, o
acervo documental disponibiliza inequívocos sinais de permanência. O Hospital
reconstruíu muitos dos espaços destruídos a contratação de pessoal não cessou, os
objectivos institucionais mantiveram-se intactos: prestar, com a dignidade possível,
cuidados de saúde. em múltiplas valências. à população lisboeta, com particular ênfase
para os enfermos pobres: na vertente pedagógica, manter o ensino da cirurgia e a
formacão empírica de pessoal hospitalar. com destaque para ajudantes e enfermeiros.
0 estudo sustenta afínal que o fim do velho Hospital do Rossio se prende não à
acção das catástrofes que ao longo dos anos o atingiram, mas antes às exigências de
uma iluminista cidade nova que vê no Rossio um dos seus mais significativos espaços
de sociabilização.
Descrição
Palavras-chave
Hospital Real de Todos os Santos Hospitais Prestação de cuidados de saúde Medicina Instituições de ensino Cirurgia Assistência social História local Terramoto 1755
