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Orientador(es)
Resumo(s)
No desvelo de cada palavra como imagem e de cada imagem como palavra, pelo embalo dos dizeres de Manoel de Oliveira, a incursão de Maria Velho da Costa pela dramaturgia e a estreia de Rita Azevedo Gomes na escrita (e realização) cinematográfica são casos flagrantes de exemplar potência criativa sob uma premissa decisiva, embora discreta, na afirmação da sua força identitária. Nas suas obras de estreia nas artes do espetáculo – a peça de teatro Madame (2000) e o filme O Som da Terra a Tremer (1990), respetivamente –, Velho da Costa e Azevedo Gomes reconfiguram as condições de possibilidade concernentes à diegese, perturbando a ontologia dos agentes participantes das suas criações. Consubstanciando um ousado exercício
de referenciação, não só fulgem, entrecruzando-as, personagens inventadas e provenientes duma pluralidade de ficções, como também as (re)talham subversivas da sua expectável subordinação à figura do escritor, figurativo e/ou literal, que a dado momento as concebeu. Ademais, trazendo-se, em lugar de fala (e consciência), a um plano comum ao do próprio leitor/espectador e das personagens literárias que retomam, repensam e transportam para os domínios teatral e cinematográfico, as autoras assumem o risco da assunção
desempoeirada das interpretações particulares que delas alvitram, num desafio labiríntico onde as certezas se rarefazem. Artesãs pares na literatura cujos signos descosem pelo risco do recorte, por palcos e aparatos, Velho da Costa e Azevedo Gomes vestem a palavra parda do (re)verso do gesto, ventilando os limites da ficção com a clarividência reflexiva (e refletora) de que a realidade só se (re)encontra na crença, e de que a crença nunca é suspensão – mas composição, manta de retalhos – de realidade.
Descrição
Palavras-chave
Maria Velho da Costa Artes do espectáculo
