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Orientador(es)
Resumo(s)
Nas primeiras sete décadas de existência da Carreira, os navios perdidos
para corsários ou piratas foram pouquíssimos, o que não quer dizer que eles
não fossem uma ameaça1. A prová -lo, está o sistema de protecção que houve
necessidade de montar desde cedo, assente em armadas de escolta. Baseadas
no reino, estas armadas protegiam as naus da Índia ou durante a primeira fase
da viagem de ida, ou, sobretudo, durante a última fase da viagem de vinda, a
partir dos Açores2. Tratava -se, nos dois casos, de guardar os navios da Carreira
nas águas mais próximas da costa portuguesa, frequentadas assiduamente pela
pirataria e corso europeus e magrebinos. O resto da rota, então, caracterizavase
ainda pela ausência de perigos humanos de monta.
Foi só na década de 80 do século XVI que a navegação da Carreira
principiou a ser afectada seriamente pelo corso. A guerra anglo-espanhola entre
Filipe II e Isabel I, começada em 1585, foi caracterizada, sobretudo depois de
1588, pelo envio quase anual de esquadras inglesas às águas peninsulares,
principalmente aos Açores, ponto tradicional de passagem das naus de volta da
Índia3. Os ingleses praticaram aí o corso em grande escala, em operações
conjuntas de navios da coroa isabelina e de corsários particulares. Parece
provável que estas esquadras mistas fossem uma ameaça bastante mais
temível do que aquilo que o sistema estabelecido de protecção da Carreira
estaria habituado a enfrentar. De 1587 a 1602, sete navios da Carreira foram
capturados ou perderam-se em consequência de ataques ingleses Convém notar que, se as esquadras inglesas parecem ter sido um inimigo
de novo tipo para a Carreira, a zona em que elas actuavam era, no entanto, a
mesma zona de risco onde as naus da Índia já tinham antes de ser protegidas
da pirataria e corso mais tradicionais. Fora das águas mais próximas da costa
portuguesa, continuou-se a gozar por algum tempo da antiga segurança. Isto,
porém, iria também mudar perto do fim do século, quando holandeses e ingleses
estabeleceram eles próprios ligações regulares à Ásia através da rota do Cabo.
O processo conduziu rapidamente à formação da East India Company (1600) e
da Verenigde Oost-Indische Compagnie, ou V.O.C. (1602), as famosas
companhias das Índias Orientais inglesa e holandesa. Com a rota do Cabo
navegada agora por inimigos, as naus da Carreira deixaram de poder contar
com uma viagem isenta de ameaças humanas longe das águas mais próximas
de Portugal.
Descrição
Tese de mestrado , História dos Descobrimentos e da Expansão Portuguesa (séculos XV-XVIII)
Palavras-chave
Companhia das Índias Orientais Holandesa Carreira da Índia Séc. 16-17 Expansão portuguesa Rotas comerciais Rota do Cabo Comércio marítimo Corso holandês
Contexto Educativo
Citação
Editora
Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa
