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A natureza traiƧoeira da fotografia

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Resumo(s)

VĆ”rios episódios da História demonstram que a função testemunhal da imagem fotogrĆ”fica pode ser frĆ”gil, emergindo a natureza traiƧoeira do meio. Algumas das principais obras que discorrem sobre a ontologia da imagem (Sontag, 2003, 2012; Berger, 2001; Freund, 2010; Barthes, 1997, 2001, 2009; Dubois, 1992; Flusser, 1998; Krauss, 2010, Baeza, 2003; ou Fontcuberta, 2002) dĆ£o conta da bipolaridade da fotografia, em particular ā€œEl Bejo de Judasā€ (1997), de Joan Fontcuberta. No livro, o autor lembra a história da tribo primitiva supostamente descoberta na dĆ©cada de 70 e cuja Ćŗnica prova era uma fotografia. Os tasaday viviam alegadamente segundo os rituais de uma civilização da Idade da Pedra, numa floresta inacessĆ­vel das Filipinas que deu que falar em vĆ”rias publicaƧƵes da Ć©poca. Com base neste registo fotogrĆ”fico, a 8 de julho, o Daily Mirror noticiava esta história. A edição de agosto de 1972 da prestigiada National Geographic dedicava o tema de capa aos tasaday, com uma extensa reportagem. Para uma sociedade que sonhava com o regresso Ć  natureza idealizado por Walt Whitman, esta tribo encarnava o mito do bom sel- vagem, provava que o Homem ainda podia viver em harmonia com as origens, num meio totalmente desprovido de bens materiais. Os tasaday foram alvo de interesse Ć  escala planetĆ”ria, com diversas tentativas de anónimos e famosos para visitar a suposta tribo, mas sempre impedidos pelo regime protecionista do dĆ©spota Ferdinand Marcos.

Descrição

UIDB/05021/2020 UIDP/05021/2020

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