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Projeto de investigação
A micropolítica e a dimensão invisível dos processos de coletivização das práticas artísticas em Portugal
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Arte e coletivismo na cidade do Porto (1998 – 2013): o potencial democrático de 15 anos de práticas artísticas colaborativas e os seus antecedentes históricos
Publication . Gomes, Ana Raquel Ermida; Alves, Margarida Brito; Quéloz, Catherine; Schneiter, Liliane; Sholette, Gregory
A presente dissertação tem por objetivo analisar o potencial democrático dos processos de coletivização das práticas artísticas, tomando como estudo de caso um movimento inédito de coletivização que ocorreu no Porto entre 1998 e 2013 e que originou a criação de cerca de 45 grupos, envolvendo aproximadamente 160 artistas. Através do mapeamento, categorização e análise da dimensão micropolítica dos coletivos que deram origem a este fenómeno – que permanece até aos dias de hoje por documentar e investigar –, pretende-se avaliar de que forma a coletivização das práticas artísticas contribui para modelos mais participativos e diretos de democracia e de cidadania, alinhando-se com as premissas de cooperação, colaboração e participação política ativa consagradas na Constituição da República Portuguesa, que define as artes e a cultura como campos privilegiados de exercício democrático. Através de entrevistas aos artistas e aos agentes culturais envolvidos, e da análise de material de arquivo, procurou-se reconstituir a atividade destes coletivos, tendo sido possível observar a criação de uma rede de apoio mútuo entre grupos e artistas, assente numa economia de partilha e na construção de um comum artístico. Por forma a melhor compreender o fenómeno, porém, esta dissertação começa por abordar os antecedentes históricos deste movimento, partindo do pressuposto de que a organização coletiva dos artistas se manifesta de forma cíclica, em momentos de crise política e social. Como tal, procurar-se-á identificar as principais linhas de força que terão precipitado a coletivização das práticas artísticas ao longo do século XX, começando pelas primeiras vanguardas e culminando nos ativismos artísticos do século XXI. Depois disso, seguir-se-á uma análise da organização coletiva dos artistas em Portugal no período revolucionário (após a Revolução do 25 de Abril) e à sua colaboração no processo de construção da democracia, argumentando-se que se terão aí desenvolvido os princípios e os valores democráticos que irão dar origem à Constituição da República Portuguesa. Face ao processo de neoliberalização da economia e do sistema democrático que o país irá testemunhar nos anos que se seguem à revolução, a organização coletiva dos artistas irá ressurgir de forma recorrente. Como se procurará mostrar, ela servirá não só para contestar essas transformações, como também para colmatar a falta de apoio institucional à cultura e às artes, provando assim, por um lado, o potencial democrático da organização coletiva a partir de baixo, mas também as fragilidades da governação política e daquilo que é hoje a democracia portuguesa.
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Entidade financiadora
Fundação para a Ciência e a Tecnologia
Programa de financiamento
Número da atribuição
SFRH/BD/129442/2017
