Casimiro, Pedro CortesãoMoreira, FranciscoCarmo, Miguel Costa do2018-12-062018-12-0620092018-12-06http://hdl.handle.net/10362/53800A ocorrência de incêndios rurais em Portugal tem aumentado de forma persistente durante as últimas décadas. Na génese deste aumento encontram-se, entre outros fenómenos, o progressivo abandono dos campos agrícolas e a subsequente invasão por matos, bem como a florestação de terrenos anteriormente destinados à agricultura. Na restante região Mediterrânica, o aumento do risco de incêndio tem sido associado, igualmente, às transformações no uso do solo verificadas durante a segunda metade do século XX. Neste contexto, o estudo dos padrões de selecção do fogo, a uma escala local, e os padrões de incidência, a uma escala regional, permite estabelecer relações entre os processos referidos e o comportamento do fogo, contribuindo deste modo para a definição de boas práticas para a redução do risco de incêndio à escala da paisagem. Recentemente, vários trabalhos estudaram a influência da topografia e do uso do solo na ocorrência do fogo (e.g. Cumming 2000; Moreira et al. 2001, 2009; Nunes et al. 2005; Mermoz et al. 2005; Bajocco et al. 2007). No presente estudo é desenvolvida uma metodologia simples, que permite determinar padrões de preferência do fogo em relação ao uso do solo e a factores topográficos (declive, exposição solar e altitude), requerendo para tal um modelo digital de terreno e cartografia de áreas ardidas e de uso do solo. A área de estudo ocupa cerca de 557 km2 no norte de Portugal, compreendendo três regiões naturais da Carta Ecológica de Albuquerque (1985): Noroeste Cismontano, Alto Portugal e Nordeste Transmontano. Os resultados mostram que o percurso do fogo desenha uma preferência em relação às diferentes classes de uso do solo, declive, exposição solar e altitude. O mosaico de combustível constitui o factor determinante, secundado pelo declive, verificando-se uma preferência persistente do fogo por matos e declives acentuados. Pelo contrário, os espaços agro-florestais são evitados pelo fogo, contribuindo para a redução do risco de incêndio na paisagem. O declive tem uma influência directa na propagação do fogo, que deriva fundamentalmente da geometria que a frente de fogo estabelece com o terreno, mas também pelo facto dos matos ocorrerem sobretudo nos declives acentuados. De modo global, os resultados destacam a gestão da paisagem como ponto chave no controlo do risco de incêndio.Wildfire occurrence in Portugal has risen in the last few decades: the progressive agricultural abandonment with the following shrub encroachment and the afforestation promotion are the principal causes for such increase, as both processes cause fuel accumulation in the landscape. In further Mediterranean regions fire-risk increase has also been connected with land use changes that have been taking place since the mid 20th century. Within this hypothesis the evaluation of local fire selection patterns and regional fire occurrence patterns establishes relations between landscape and fire behavior, required to understand processes before mentioned. This knowledge should contribute to the best landscape management options for wildfire hazard reduction. Recent articles present studies on land use and topography influence on wildfires occurrence (e.g. Cumming 2000; Moreira et al. 2001, 2009; Nunes et al. 2005; Mermoz et al. 2005; Bajocco et al. 2007). In this work, a simple methodology is developed to find patterns of fire preference regarding land use and topography categories (slope, aspect and elevation). This requires a digital terrain model and land use and burned area maps. The study area is located in nothern Portugal, 557 km2 wide, and covers three natural regions (Carta Ecológica de Albuquerque, 1985): Noroeste Cismontano, Alto Portugal and Nordeste Transmontano. The results show that the fire spread draws a preference regarding different land use, slope, aspect and elevation types. The vegetation mosaic being the main influence, followed by slope, with a strong fire preference for shrubland and steep slopes. In contrast, fire avoids agro-forestry areas, which contribute to fire risk reduction at landscape level. Slope has a direct influence on fire spread as a consequence of the geometrical relation among fire line and terrain, but also because of the strong overlap between shrubland and steep slopes. Globally the results point landscape management as keynote on fire hazard control.porIncêndios ruraisPadrões de selecçãoUso do soloTopografiaGestão da paisagemMediterrâneoWildfireSelection patternsLand useTopographyLandscape managementMediterraneanInfluência do uso do solo e topografia na ocorrência de incêndios rurais no Norte de Portugalmaster thesis