Pacheco, Alberto2023-02-162023-02-162022PURE: 49980213PURE UUID: 5695dbed-0a92-47a5-82f4-88165179ea1bhttp://hdl.handle.net/10362/149365UIDB/00693/2020 UIDP/00693/2020Em 1808, a corte portuguesa deslocou-se para seus domínios americanos, refugiando-se das guerras napoleônicas que varriam a Europa. Isto desencadeou uma série de transformações no Brasil, dentre as quais a mais dramática terá sido a Proclamação da Independência da colónia em 1822. Como era de se esperar, o cenário musical brasileiro também sofreu grandes mudanças, especialmente na capital, o Rio de Janeiro, que passou a abrigar a corte e, consequentemente, precisou adaptar-se para apresentar uma produção artística que estivesse à altura da nova sede do império luso. Nesta comunicação vamos fazer uma breve apresentação dos castrati italianos que, a mando de D. João VI, foram levados ao Rio de Janeiro para atuarem na Real Capela. Em seguida, vamos refletir sobre como a condição de castrados destes cantores, e a consequente manutenção de suas vozes na tessitura feminina “natural” (soprano e contrato), levanta questões importantes no que diz respeito a sexualidade e gênero. Veremos que uma sexualidade praticamente neutralizada contribuiu para que esses músicos tivessem uma vida totalmente devotada à música e se tornassem os virtuoses que arrebatavam as plateias. Por outro lado, levantaremos a hipótese de que as consequências vocais da castração, em especial o desencontro entre o gênero do cantor e aquele da sua própria voz, maravilhavam o público, o que explica em parte o imenso poder de atração exercido por esses virtuoses.125231porCastratiBrazilian MusicPortuguese musicGender and musicMusicCastrati no Rio de Janeiroconference objectbreves reflexões sobre gênero e sexualidade