Pinto, FilomenaGonçalves, Maria Margarida Boavida PontesPinto, Sofia Isabel Dias2013-07-032013-07-032013http://hdl.handle.net/10362/9958Dissertação apresentada à Universidade Nova de Lisboa, Faculdade de Ciências e Tecnologia, para obtenção do Grau de Mestre em Energia e BioenergiaA presente dissertação tem como principal objectivo o aproveitamento de óleos vegetais para produção de biocombustíveis líquidos, através da conversão termoquímica de misturas de óleo vegetal alimentar usado com óleo de bagaço de azeitona bruto. Assim é possível encontrar uma alternativa ao uso alimentar deste último, que pode apresentar elevados riscos para a saúde humana. Este óleo é um sub-produto da indústria do azeite, com composição semelhante a outros óleos vegetais e que se encontra a um preço inferior no mercado. A mistura dos óleos vegetais é sujeita a um processo de “cracking” por pirólise em atmosfera inerte e em condições moderadas de pressão e temperatura e o bio-óleo resultante é depois sujeito a hidrogenação (HVO), com o intuito de produzir hidrocarbonetos para utilizar como combustível líquido em motores convencionais. Com este trabalho pretende-se estudar o efeito das misturas de óleos vegetais e investigar se estas são favoráveis ou não, em cada uma das etapas, de forma a maximizar os rendimentos de ambas as fracções de destilação e a minimizar os gastos associados a estes processos. A temperatura de reacção de 400°C foi usada para ambos os processos. Selecionou-se um tempo de reacção de 30 e 60 minutos, um volume de óleo inicial de aproximadamente 90 e 40 mL e uma pressão inicial de 50 e 160 psi, consoante a atmosfera de reacção, isto é, azoto (N2) para a pirólise ou hidrogénio (H2) para a hidrogenação, respectivamente e na ausência de catalisadores. Os rendimentos de produtos líquidos variaram entre 75 e 90% (m/m), tendo-se obtido o maior rendimento na hidrogenação de 25% de óleo vegetal alimentar usado. Os rendimentos de produtos gasosos variaram entre 5 e 22% (m/m), tendo-se verificado o maior rendimento na pirólise de 100% de óleo vegetal alimentar usado. Os produtos gasosos foram analisados por cromatografia gasosa, obtendo-se a maior concentração de hidrocarbonetos no ensaio de pirólise de 100% óleo de bagaço de azeitona. Na destilação dos produtos líquidos, o maior rendimento da fracção leve (25-150°C) obteve-se na hidrogenação de 100% de óleo de bagaço de azeitona puro, registando-se o valor de 75% (m/m). Relativamente à fracção pesada (150-309°C), o maior rendimento observou-se na hidrogenação de 75% de óleo vegetal alimentar usado, com o valor de 64% (m/m). Na análise dos produtos líquidos por GC-FID, verificou-se que na fracção leve (25-150°C) e em ambas as etapas, as misturas de 25 e 50% de óleo vegetal alimentar usado apresentaram um maior teor de compostos mais leves (entre C6 e C10), enquanto que as misturas de 50, 75 e 100% de óleo vegetal alimentar usado apresentaram um maior teor de compostos mais pesados (entre C12 e C17). Quanto à fracção pesada (150-309°C), verificou-se quase ausência de compostos leves (entre C6 e C10) e o teor em compostos mais pesados (entre C12 e C17) é superior nesta fracção e semelhante em todas as misturas, com excepção da mistura de 50% que não apresenta esta gama de compostos, verificando-se que esta possui na sua maioria compostos com mais de 17 átomos de carbono.porHidrogenaçãoHVOÓleo de bagaço de azeitona brutoBiocombustíveisCombustível líquidoPiróliseProdução de biocombustíveis líquidos por pirólise seguida de hidrogenação de misturas de óleos vegetais num conceito de bio-refinariamaster thesis201758059