Godinho, PaulaLouçã, João Carlos Anacleto2020-03-312022-11-282019-11-282020-03-30http://hdl.handle.net/10362/95338Trinta anos depois de Margaret Thatcher ter anunciado que a sociedade é coisa que não existe, o mundo em que vivemos parece querer dar-lhe razão. De crise em crise, a economia liberal parece ter conquistado a hegemonia absoluta. O capitalismo na sua fase tardia parece consolidar-se pelos quatro cantos do mundo. O capital no seu eterno movimento de acumulação conquista incessantemente mercados ao mesmo tempo que cresce a desigualdade global, aumentam os conflitos armados e a destruição ambiental ameaça a sobrevivência da espécie humana. Mas a análise global, pessimista por circunstância, deixa inevitavelmente de fora muitos dos aspetos que também caracterizam este tempo. Um olhar possível é o da antropologia, sobre processos, projetos e experiências que resistem à hegemonia capitalista e que transportam consigo a força emancipadora das utopias reinventadas com os instrumentos da atualidade. Neste texto, procuro caracterizar algumas destas experiências, com base etnográfica em trabalho de campo realizado na cidade do Porto e nos Altos Pirinéus, na comunidade autónoma de Aragão. No compromisso com uma antropologia do futuro a cultura torna-se contraponto da economia ultrapassando conceções dualistas que reduzem a diversidade das atividades humanas e que transportam consigo a fatalidade da narrativa hegemónica. Na disputa desses mundos que ainda se podem construir encontramos estas práticas de rebeldia e da imaginação, sinais da esperança que se torna concreta.Thirty years after Margaret Thatcher announced that society does not exist, the world that we live in seems to prove her right. From crisis to crisis, the liberal economy seems to have acquired absolute hegemony and capitalism - in its late phase - seems to consolidate itself in the four corners of the world. Capital, in its incessant accumulation, incessantly conquers new markets as global inequality grows, armed conflict increases and the environmental destruction threatens the survival of the human species. But the overall analysis, pessimistic by the current circumstances, inevitably leaves out many of the aspects that also characterize our time. A possible perspective is that of anthropology, about processes, projects and experiences that resist the capitalist hegemony and carry with them the emancipating force of the reinvented utopias with today’s instruments. In this work, I try to characterize some of these experiences, based on ethnographic fieldwork carried out in the city of Porto in Portugal and in the Hautes Pyrenees, in the autonomous community of Aragon. Committed with an anthropology of the future, culture becomes the counterpoint of economics, surpassing dualistic conceptions that reduce the diversity of human activities and carry the fatality of the hegemonic narrative. In the dispute between these worlds that can still be forged and built, we find these practices of rebellion and imagination as signs of hope that materialize.porFuturoTrabalho,UtopiaEmancipaçãoEconomia solidáriaFuture,WorkEmancipationSolidarity economyPensar o Impossível, Transformar a Realidade – a prática da utopia concreta no Porto e Pirinéusdoctoral thesis101465548