Cachopo, João Pedro2018-01-262018-01-262015PURE: 2981087PURE UUID: 57bdeae9-3de8-4f78-910c-8bf6101c8985http://hdl.handle.net/10362/29201UID/EAT/00693/2013 SFRH/BPD/79759/2011"I need variation, I require variation” – proferidas por John Malkovitch no início do filme, estas palavras parecem traduzir o gesto subjacente à produção de The Casanova Variations. Com efeito, operático é não só o tema do filme mas desde logo o da produção teatral que lhe serve de ponto de partida. Ambas são da responsabilidade de Sturminger e giram em torno das aventuras e desventuras do sedutor veneziano que encontraram na ópera de Da Ponte e Mozart a sua cristalização mais emblemática. Trata-se, portanto, de uma variação cinematográfica de uma variação teatral de um tema operático. Nesta apresentação, tratar-se-á de discutir a hibridez deste objecto em relação com os debates em curso sobre o cruzamento dos géneros operático e cinematográfico. Em especial, interessa-nos o facto de o filme operar um desvio relativamente a uma associação amplamente praticada e debatida: já não é a diva – martirizada, suicida, defunta – o epítome do género operático (como o é em filmes como E la nave va ou Callas forever), mas o sedutor inveterado e moribundo (encarnado por uma figura icónica do cinema). O tema fúnebre, porém, persiste: assistimos à morte e à transladação do corpo de Casanova, tal como em Fellini assistíramos à exéquias marítimas de Edmea Tetua. A atracção do cinema pela ópera – parafraseando Michal Grover-Friedlander – conhece aqui, também ele, uma variação, sendo esta que importa interrogar criticamente nos seus pressupostos e implicações estéticas.26112poróperateatrocinemaSturmingerCasanova VariationsSDG 3 - Good Health and Well-beingA ópera como teatro como cinemaconference objectA propósito de Casanova Variations (2014) de Michael Sturminger