Silva, Raquel Henriques da2014-07-242014-07-2420071646-1762http://hdl.handle.net/10362/12545Revista do IHA, N.3 (2007), pp.238-253Tendo-se comemorado, em 2005, o centenário da morte de Rafael Bordalo Pinheiro, entendi homenagear este notável artista, no IX Curso Livre do Instituto da História da Arte cujo tema foi a iconografia. Escolhi então o seu Zé Povinho, nascido, em 1875, nas páginas de A Lanterna Mágica, um dos jornais humorísticos que criou, dirigiu e permanentemente ilustrou. Zé Povinho tem traços de parentesco com outras alegorias que pretendem personalizar uma espécie de fundo antropológico como identificação da nação. Tem traços também de figuras retóricas do teatro e da dança da tradição europeia, desde os bobos medievais às personagens barrocas da Comedia dell’Arte. No entanto, o que particulariza o Zé Povinho de Bordalo é a sua absoluta actualidade: ele é o cidadão do país liberal, onde há eleições, impostos, opinião pública e liberdade de imprensa. Incarnado num rude camponês analfabeto e enganado por todos, o Zé Povinho é, todavia, um dispositivo complexo de resignação, de contestação e de ameaça cujo valor de uso depressa foi compreendido e largamente apropriado, utilizando os seus múltiplos e enredados sentidos. Por isso, o seu criador, Rafael Bordalo Pinheiro, deve ser considerado um dos primeiros e mais radicais artistas moder nos portugueses.porZé PovinhoRafael Bordalo PinheiroIconografiaIconologiaO Zé Povinho de Rafael Bordalo Pinheiro: Uma iconologia de ambivalênciajournal article