Pinto dos Santos, Mariana2022-01-042022-01-042021-05PURE: 35840332PURE UUID: d95f9e12-eb5a-4ab4-b62c-b7f902d96744ORCID: /0000-0001-7289-1875/work/158542004http://hdl.handle.net/10362/130272UIDB/00417/2020 UIDP/00417/2020 PTDC/ART-HIS/29837/2017Este ensaio analisa a ideia de atraso inerente ao trabalho de José-Augusto França, responsável pelo desenvolvimento notável da historiografia da arte em Portugal depois da Segunda Guerra Mundial e por estabelecer um cânone historiográfico para a arte portuguesa dos séculos XIX e XX. Procura enquadrar o conceito de atraso no contexto da historiografia de arte portuguesa e da história política, e analisá-lo no quadro de uma genealogia de pensamento intelectual produzido num contexto imperial, revisitando alguns anteriores historiadores e autores importantes, como Antero de Quental e António Sérgio. O conceito de atraso associa-se à ideia de “civilização” e à ideia de “arte como civilização” e tem implicações nos constrangimentos e nas especificidades da escrita de uma narrativa hegemónica num país periférico, que procurava comparar-se a um modelo artístico e cultural parisiense. A necessidade de sublinhar o atraso foi particularmente sentida na segunda metade do século XX também para marcar uma posição política contra a ditadura que esteve no governo de 1926 a 1974. Parte da reacção ao fascismo expressava o desejo de seguir o exemplo democrático de outras nações, mas as avaliações auto-depreciativas sobre arte portuguesa estavam frequentemente associadas à identificação de motivos essencialistas — a “natureza” do povo português, a sua maneira de pensar e de viver, a sua falta de capacidades ou de competências — e a uma imagem de si próprio como sendo “primitivo” em comparação com outros países europeus, a qual tem antecedentes que remontam ao século XVIII. Abordarei a nostalgia pelo império e sua relação com a noção de atraso prevalecente ao longo de todo o século XX, no que diz respeito a aspectos por resolver face a essa nostalgia.15395351porAtrasoHistoriografiaModernismoCivilizaçãoEurocentrismoPeriferiaGeneral Arts and HumanitiesAcerca do atrasoOn BelatednessThe shaping of Portuguese Art History in Modern Timesjournal article10.34619/y3pj-ff8nA construção da história da arte portuguesa nos tempos modernos