Seabra Neves, Márcia2021-05-222021-05-222021-012184-206XPURE: 27707686PURE UUID: a63562df-6922-48af-8d2e-ad65375f5938ORCID: /0000-0003-2402-1095/work/94253441http://hdl.handle.net/10362/118113UIDB/00657/2020 UIDP/00657/2020 DL 57/2016/CP1453/CT0037Privados do dom da palavra articulada, os animais foram, desde sempre, vítimas do seu enigmático silêncio. Foi-lhes concedida voz humana em fábulas, mitos e outros textos nos quais, apareciam como símbolos representativos do homem e da sociedade, ou seja, despojados da sua essência vital. No entanto, nas últimas décadas, os escritores têm multiplicado as tentativas de encenar, por procuração ficcional, novas formas de interação com o animal, cada vez mais visto e escrito, não como simples constructo teórico-ficcional, mas antes como sujeito dotado de uma subjetividade própria e capaz de um olhar interrogante e judicativo sobre o homem. É, precisamente, o que faz Luis Sepúlveda em A história de uma baleia branca (2019), ao dar voz a Mocha Dick, imponente cachalote da cor da lua, numa revisitação original e subversiva do clássico MobyDick, de Herman Melville. No seu ensurdecedor silêncio, a baleia de Sepúlveda narra, do seu próprio ponto de vista, o seu confronto épico e dantesco com o homem, denunciando a violência do ser humano e a sua ação devastadora sobre o meio ambiente.14198152porAnimalHumanoSilêncioLuis SepúlvedaHerman MelvilleMochaMoby-DickHistória de uma Baleia Brancajournal articlea voz do silênciohttp://www.revistadobra.pt/dobra-mdash-7.html