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FCSH: DF - Teses de Doutoramento

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  • Perceiving Care Situated Knowledge, Feminist Standpoints, and Consciousness-Raising
    Publication . Lobo, Camila Ribeirinha Cardoso de Lima; Venturinha, Nuno Carlos da Silva Carvalho Costa; Crary, Alice Marguerite
    The central object of this dissertation is the concept of care, and its main argument is the claim that certain aspects of the world only come into view from the vantage point of subjects engaged in practices of care. The claim is defended with respect to two general conceptions of care: care as a laboring activity and care as a mode of perception. While analytically distinct, these two understandings of care are intimately related in both theory and practice. On the one hand, socially devalued care labor often requires the exercise of capacities that largely exceed strictly cognitivist models of rationality in attending to ordinary forms of vulnerability. On the other hand, these caring modes of perception are themselves largely neglected by dominant philosophical models in favor of neutral conceptions of rationality and abstract notions of objectivity. This shared history of exclusions has long been identified by critical theorists committed to revealing how dominant ideologies are expressed in traditional epistemological projects that contribute to the reproduction of social hierarchies. The dissertation proceeds by drawing selectively upon a range of traditiondefiant authors who variously argue that achieving more objective accounts of social reality demands an appreciation of caring modes of response to the world. This emphasis on achievement speaks for a methodology that simultaneously challenges the authority of neutrality as an epistemic value and recognizes the need to engage critically with subjective experience. Such methodology is uniquely expressed by standpoint theory’s distinction between the notions of “perspective” and “standpoint”, which provides the structure of the present text. Hence, the dissertation is divided into two parts that generally trace the development of perspectives of care into standpoints of care. The first part, “The Perspective of Care”, deals with different accounts of situated knowledge to argue that the systematically marginalized social positions of caregivers afford them a unique perspective from which to access certain aspects of the world,while simultaneously preventing them from developing resources to communicate and understand the normative significance of their experiences. The second part, “The Standpoint of Care”, articulates the need to mobilize such perspectival advantages into the collective development of reflective standpoints that critically illuminate social reality, creating the conditions for liberatory visions of the social organization of care to emerge. The structure of the text is meant to suggest its embodiment of consciousnessraising as a methodology for transforming situated perspectives into reflective standpoints. This transformation cannot be conceived as a purely cumulative process that leads to the achievement of a final state in the knowledge production process. Instead, standpoints must be understood as ongoing projects that can be critically assessed against changing material conditions and ever-emerging situated perspectives. By adopting care perspectives as their starting point, these projects do not merely seek to acquire more knowledge about social reality, but to cultivate ways of seeing that lead to new, genuine forms of political recognition. I conclude that the recognition of historically marginalized practices such as care labor ultimately requires the cultivation of modes of perception that these activities themselves make available. In other words, perceiving care ultimately demands that we perceive caringly.
  • The Role of Nietzsche’s Notion of Incorporation in His Philosophical Psychology
    Publication . Pacheco, Daniel Luís Carvalhinha Torres de Matoso; Gori, Pietro; Riccardi, Mattia
    Esta tese investiga o significado filosófico da noção de Einverleibung (incorporação) em Nietzsche. Embora esta noção tenha sido frequentemente analisada na intersecção entre a epistemologia e a ética nietzschianas — sobretudo no que respeita à incorporação da verdade e do conhecimento —, o presente estudo desloca o foco para o seu papel mais amplo no âmbito da psicologia filosófica de Nietzsche, procurando esclarecer aspetos fundamentais de noções como as pulsões (Triebe), a perceção ou a consciência. A análise desenvolve-se segundo uma estrutura tripartida — Leib (corpo), Seele (psique ou alma) e Geist (mente ou espírito) — com oobjetivo de rastrear o modo como a incorporação opera nestes diferentes, ainda que inter- relacionados, níveis de análise conceptual. Combinando uma leitura textual historicamente informada com uma reconstrução filosófica rigorosa, esta tese inscreve a noção de Einverleibung no contexto filosófico e científico de Nietzsche, colocando-a simultaneamente em diálogo com debates contemporâneos nas ciências da mente. Defende-se que a Einverleibung nietzschiana é fundamental para compreender como avaliações, conceitos ou juízos se tornam interiorizados e instintivos, moldando assim a atividade futura do organismo que os incorpora. À medida que Nietzsche desenvolve a sua noção de vontade de poder — entendida como uma tendência, selecionada evolutivamente, de certas pulsões para o crescimento e para o controlo —, o poder passa a ser concebido como o principal critério de incorporação. Importa salientar que os usos nietzschianos da Einverleibung não são metafisicamente uniformes: por um lado, as pulsões são apresentadas como juízos avaliativos cristalizados fisicamente numa determinada configuração neurofisiológica; por outro, processos como a perceção consciente são descritos como dependentes de conceitos e memórias anteriormente incorporados, os quais não são redutíveis a fenómenos puramente físicos. Em última análise, identifica-se um nível mais abrangente de incorporação nietzschiana na forma como valores e práticas coletivas moldam a psique coletiva — as pulsões e afetos partilhados coletivamente — de uma comunidade.
  • Deep Disagreement: An argumentative analysis of the conflict of 2001 in Macedonian and Albanian language media
    Publication . Memedi, Vesel
    Em seu artigo canônico “A lógica do desacordo profundo”, o filósofo americano Robert Fogelin (1985), causou um terremoto chocante nas teorias da argumentação, cujos tremores são sentidos até hoje – 40 anos após sua primeira introdução, ao dizer que certos “desacordos”, em particular, “discordâncias profundas”, não podem ser resolvidas por argumentos racionais. Se esta linha de raciocínio estiver correta, então poderemos ser forçados a concluir que a razão e a argumentação desempenham um papel decepcionantemente pequeno quando mais precisamos delas, especialmente em questões sociais importantes. Nesses casos, portanto, além da necessidade teórica, há também uma urgência prática de compreender o que são “desentendimentos”, como ocorrem e se podem ser resolvidos racionalmente ou não. Nesta tese, portanto, procura-se assegurar às teorias da argumentação que não há necessidade de alarme em relação a discursos de natureza “profunda discordância”. Ao confiar no estudo de caso em questão, será feita uma tentativa de demonstrar claramente que não existe “discordo profundo” em primeiro lugar, ou se fizermos uma concessão de que tais desacordos existem, então afirmaremos que estes “desacordos” pode ser resolvido através de uma reconstrução cuidadosa do discurso argumentativo. Em outras palavras, sustentamos que “discordâncias profundas” não existem de forma alguma, desde que reconstruamos discursos argumentativos de natureza de “discordância profunda” como um discurso argumentativo complexo de um “trílogo” em vez de um “diálogo”, através da introdução de uma intervenção de “terceiros”, ao que normalmente seria uma conversa entre duas pessoas. Desta forma, a força gravitacional do “terceiro” é tão ‘poderosa’ que ‘atrai’ todas as partes numa discussão a colapsarem em direcção a esta força, e como consequência, há uma resolução racional de discursos de “profundo desacordo” natureza.
  • Forma e Expressão. Uma teoria estética em G. W. Leibniz
    Publication . Araújo, Sofia Isabel Monteiro de; Mendonça, Marta; Cardoso, Adelino
    Ao definir a expressão como uma relação geral de correspondência, Leibniz estabelece um amplo domínio para a sua aplicação. Da expressão de um círculo por uma elipse, à expressão do universo por cada substância, a expressão parece afirmar-se como uma das ideias mais pregnantes da arquitetónica leibniziana. Porém, as diferentes definições que Leibniz apresenta deste conceito revelam que a sua formulação não é totalmente desprovida de uma certa ambiguidade. Embora seja um conceito que acompanha toda a obra filosófica do autor hanoveriano, nela ocupando um lugar fundacional, Leibniz parece deixar em aberto qual a determinação exata da relação entre aquilo que exprime e aquilo que é expresso. É neste contexto que surge o tema da presente investigação. Propomo-nos apurar qual o significado do conceito leibniziano de expressão e quais as suas implicações. A hipótese avançada é a seguinte: a determinação da expressão enquanto relação de correspondência ou analogia, num âmbito que se estende do local ao global, comporta tanto uma dimensão formal, como uma dimensão estética. Centrando-se na análise destas dimensões, a investigação que aqui se propõe visa explorar dois aspetos do pensamento leibniziano: o modo como nele se desenvolve a conceção de expressão e a determinação da sua vertente estética.
  • Mundo e Visão do Mundo: Conhecimento e Compreensão em Wittgenstein
    Publication . Silva, Maria Joana de Oliveira Vilela da; Venturinha, Nuno
    Este estudo debruça-se sobre a obra filosófica de Wittgenstein com o objetivo de identificar e investigar os argumentos e os conceitos que, no âmbito da sua filosofia da linguagem, se apresentam como fundamentos para a clarificação de um sentido de conhecimento que, à luz desta tese, coincide com a própria ideia de compreensão ou daquilo a que chamamos “visão do mundo”. A pesquisa orienta-se pela convicção de que, tendo o filósofo dedicado o seu trabalho ao estudo das possibilidades de representação do sentido, nele se delineia, em simultâneo, a apresentação e a caracterização da nossa forma de acesso à realidade que aqui se entende como uma forma essencialmente conectada com o próprio ato de conhecer ou com o próprio fenómeno do conhecimento. O conceito de “mundo” aparece nesta tese como a sua pedra-de-toque; é a evolução que ele segue à medida em que surge ou é manifesto no escopo reflexivo e argumentativo de Wittgenstein que produz consequências para o entendimento aqui proposto. A expectativa é a de que, através de um percurso delimitado pelo estudo das duas obras que melhor apresentam o projeto filosófico de Wittgenstein – o Tractatus e as Investigações Filosóficas –, enquanto afinamentos de uma metodologia adequada ao objeto de estudo da filosofia – a linguagem – seja possível tornar visível a dimensão de “intuição” (Anschauung) da própria visão e do sentido do mundo, enquanto sistema que acolhe toda a experiência, interior e exterior, individual ou partilhada e, bem assim, o movimento transitório que, por natureza das coisas, coloca esse mesmo sentido e essa mesma visão sempre a ponto de se modificarem. Deste modo, a caracterização do mundo alimenta-se de conceitos tão caros à filosofia de Wittgenstein como são “gramática” ou “eternidade” e não prescinde, enquanto transita em termos daquilo que representa no seio da obra wittgensteiniana, do constante re-conhecimento dos seus limites e fronteiras, já que serão esses também os aspetos que nos permitem, em última instância, relacionar “mundo”, “visão do mundo” e conhecimento enquanto dimensões de uma unidade epistemológica a partir de onde se extraem, por fim, consequências relevantes a favor da resolução do problemático (da experiência), sustentadas pelo potencial estético (poiético) inerente à própria natureza do “mundo”.
  • Verso una politica postumana: Inumano e soggettività politica nel pensiero di Hobbes e Spinoza
    Publication . Lubrano, Vittorio; Branco, Maria João Mayer; Cimatti, Felice
    What if we were to extend our conception of politics beyond the idea of the human art of govern ment? What if, from a provocative perspective, we could rid ourselves of the assumption that it fun damentally concerns human deliberation and praxis? The present research examines a longstanding dissatisfaction, manifested in the field of Postuman Studies, with the self-referentiality of the hu man, bringing it into the field of political thought. Its guiding idea is that, rather than playing an in strumental or minor role in political theory, the inhuman is essential to rethinking the limits and po tential of politics and better understanding contemporary phenomena. This investigation enquires into the fundamental role played by the inhuman in forming political subjectivity, uncovering and examining the various logics that underlie this complex and problematic relationship. In Hobbes and Spinoza we see that a specific interpretation of the role of inhuman presences not only provides a (more or less anthropocentric, more or less inclusive) model of political subjectivity but also shapes how we conceive of politics itself. Hobbes focuses on two inhuman figures – the animal and the machine – and is an exemplary interpreter of both the exclusion of inhuman beings from the po litical sphere and the desire to automatize politics. In particular, critically examining the category “person” allows us to see that, although the human subject may appear to have a monopoly on poli tics, what underlies the political is in fact a cybernetic triangulation – one in which the human emerges as a byproduct, taking its place alongside the animal qua beast and the machine qua au tomaton. By contrast, Spinoza is considered the author of a radical protest against the God–Man alliance that has contaminated the political field. Politics offers us the opportunity to do away with theological and anthropological hegemony, to locate a field of interspecies affects with unexplored potentiali ties. Viewing political subjectivity from a perspective that is neither anthropomorphic nor anthro pocentric allows us to rethink politics as political ecology. Even though it may seem to lie far be yond the modern worldview, this radicality is grounded in certain (largely undeveloped) strands of Spinoza’s philosophy, including the multitudo, the beatitudo, and his critique of legal normativity. Lying latent and inexplicit in both Hobbes and Spinoza is the idea that inhuman presences are indis pensable to identifying and understanding political subjectivity. Attending to the role of the inhu man in politics provides us with an opportunity to move beyond the ideological background against which political processes have long been theorized, towards new forms of cooperation and co-exis tence: towards a posthuman politics.
  • The Vertigo of Belief - Inside Wittgenstein´s Epistemology of Religion
    Publication . Henriques, Ricardo Neto; Venturinha, Nuno; Travis, Sofia Miguens
    Esta tese de doutoramento procura aprofundar a ideia de Wittgenstein da injustificabilidade racional das crenças religiosas. A questão de partida que a move é a seguinte: como fazer sentido da ideia de Wittgenstein de que não temos uma justificação racional para as nossas crenças religiosas fundamentais? A tese está dividida em três capítulos, cada um focado nas diferentes dimensões da questão de partida. O primeiro capítulo foca-se nos temas de seguimento de regras e teorias do significado, procurando ligar diferentes autores como Saul Kripke, P.M.S. Hacker ou John McDowell. A ideia fundamental a ser defendida neste capítulo prende-se com a interligação das condições de assertabilidade e condições de verdade como matriz para o seguimento de regras em comunidade. O segundo capítulo foca-se em questões epistemológicas, a partir de conceitos como verdade, objetividade, conhecimento e contexto, cruzando diferentes correntes epistemológicas contemporâneas. Pegando nos temas discutidos no primeiro capítulo, a nossa capacidade para seguir regras e obter conhecimento está intimamente ligada com as ‘dobradiças’ wittgensteinianas, com o papel do contexto para a constituição destas dobradiças e com a possibilidade de conceber dimensões da realidade como objetivas. Esta tríade é sustentada pela leitura do trabalho de autores como Duncan Pritchard, Michael Williams e Markus Gabriel. O terceiro capítulo foca-se nos temas de filosofia da religião a partir do trabalho de Wittgenstein, ligando o seu pensamento com o de outros autores, tais como G.K. Chesterton, David Hart e Roger Scruton. Neste capítulo procuro mostrar como, à luz das ideias desenvolvidas, o contexto religioso constitui um contexto objetivo em si mesmo, com categorias ontológicas e epistémicas próprias, sustentado numa vida prática específica. No final procuro mostrar como é a partir de uma leitura realista do pensamento de Wittgenstein que melhor compreendemos o sentido da sua afirmação da impossibilidade de justificar uma crença religiosa fundamental. A natureza prática e fundamentalmente diferente do ponto de vista religioso constitui um domínio ontológico e epistemológico próprio, irredutível a qualquer explicação ou justificação científica.
  • Do Humor - Filosofia e Cinema
    Publication . Martins, Constantino Pereira Silva; Constâncio, João Manuel Pardana; Ferro, Nuno Vieira da Rosa e
    Esta proposta de investigação procura esclarecer o fenómeno do humor, das suas múltiplas derivações e consequências. Como forma global procura-se esse esclarecimento através de diferentes análises filosóficas, acompanhadas dos respectivos problemas centrais aí envolvidos, na tentativa de identificar os elementos base do humor, bem como na análise de estudos de caso estético-políticos.
  • Em torno dos contos de Kierkegaard: retratos da possibilidade existencial do enclausuramento. Um estudo antropológico - filosófico
    Publication . Silva, Bárbara Henriques Marques Pereira da; Ferro, Nuno Rosa
    Tal como reza a história de Frater Taciturnus – em Estádios no Caminho da Vida, de Søren Kierkegaard –, das profundezas de um recôndito, silencioso e solitário lago na Dinamarca, ele extraiu um diário anónimo de um sujeito enclausurado, a quem se refere pelo termo «quidam». Este achado corresponde à «história de sofrimento» de “«Culpado?» / «Não-culpado?»” (na terceira parte de Estádios no Caminho da Vida), um escrito em que se encontram inseridos seis contos: “O Desespero Silencioso”, “A Autocontemplação de um Leproso”, “O Sonho de Salomão”, “Uma Possibilidade”, “A Lição a Interiorizar. Periandro” e “Nabucodonosor”. E são estas seis pequenas narrativas que constituem o objecto do presente estudo fenomenológico. Por meio destas narrativas, o leitor tem a oportunidade de aprofundar a compreensão do mapa da existência. Seguindo o itinerário destes textos, ele pode ganhar perspectiva para vários fenómenos fundamentais da existência, tais como a imersão do sujeito no exterior e o seu contrário, i.e., a orientação do sujeito para si próprio, e tais como a melancolia, a recordação, a contemplação de si e da existência, a compaixão, a identidade, a confrontação com a questão do sentido da vida, o desenvolvimento da consciência, a culpa, o arrependimento desesperado, a angústia, a preocupação e a paixão, a prisão à categoria da possibilidade, a ausência de linguagem, a forma de existência que corresponde à excepção, a diferença e, até, a contradição entre o exterior e o interior, a sabedoria e a ausência da sua interiorização – pois tais fenómenos encontram-se, nesse conjunto de textos, desenhados de modo concreto e de forma exímia. Nestes seis contos, surge o fenómeno psicológico do enclausuramento delineado de diferentes formas concretas. Os personagens enclausurados estão muito longe da forma espontânea de existência, pois não estão afundados no meio envolvente, absorvidos no exterior – eles estão despertos para si próprios, reflectem sobre si próprios e sobre a existência, têm, na verdade, um grau de reflexão muito elevado. Estão confrontados com a existência e a questão do sentido da vida, confrontados consigo próprios, com a sua identidade – estão orientados para si próprios e concentrados em si próprios, alcançaram um elevado grau de lucidez, mas colidem com uma opacidade que não se desfaz. Enquanto permanecem enclausurados, não se revelam aos outros, mas também não alcançam realmente a revelação de si para si próprios, e, assim, o seu reconhecimento de si é somente parcial. Possuem um «eu» profundo e envolto em silêncio, um «eu» que eles não vêem com clareza. Enquanto permanecem enclausurados, não alcançam a expressão de si, não alcançam a transparência, não se alcançam realmente a si próprios: a sua identidade permanece escondida, e eles permanecem numa atmosfera de lucidez e obscuridade, de sabedoria e incompreensão, permanecem vazios e confrontados com o vazio. Os personagens dos contos não chegam a quebrar o enclausuramento e, assim, não alcançam um sentido pleno na existência.
  • A Filosofia da Natureza de Robert Boyle: um estudo a partir da sua hipótese mecânica
    Publication . Fraguito, Hugo Edgar Pereira Vilela de Moura; Mendonça, Marta
    Esta tese é sobre a filosofia da natureza de Robert Boyle que subjaz à sua investigação experimental da natureza. Uma vez que Boyle é um dos mais conhecidos promotores da filosofia mecânica ou corpuscular, é frequente encontrar-se autores que lhe atribuem uma filosofia da natureza mecanicista, segundo a qual a matéria é inerte e as entidades naturais carecem de poderes ativos. Esta interpretação casa bem com a ideia, também atribuída a Boyle por muitos autores, segundo a qual as leis da natureza são impostas por Deus, a todo o momento, ao mundo. Dado que a matéria é meramente passiva, a fonte da atividade e da ordem na natureza tem de proceder de fora da natureza. O principal objetivo deste trabalho é averiguar se, de facto, a filosofia da natureza de Boyle é mecanicista ou se, pelo contrário, pressupõe que a atividade que se observa no mundo procede dos poderes causais que os corpos possuem em virtude das suas essências. Há boas razões para interpretar a filosofia da natureza de Boyle deste modo, uma vez que invoca frequentemente as naturezas dos corpos, os seus poderes e tendências, para explicar os fenómenos naturais. Existem também razões fortes para considerar que a ordem que se observa na natureza procede das essências dos seres naturais. Uma vez que um dos principais motivos que leva a pensar que Boyle tem em mente uma filosofia da natureza mecanicista é a excelência que atribui à sua hipótese mecânica, este trabalho começa pela consideração do papel da hipótese mecânica no estudo experimental da natureza.