Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/10362/18203
Título: A articulação de cuidados em oncologia (Hospital e Cuidados de Saúde Primários) em doentes com cancro coloretal e o seu impacto económico-financeiro e assistencial
Autor: Ferreira, Margarida
Data: 2015
Editora: Escola Nacional de Saúde Pública. Universidade NOVA de Lisboa
Resumo: RESUMO - Introdução: Em Portugal o cancro coloretal é o segundo tipo de cancro mais frequente. Em 2012 foi o segundo tipo de tumor responsável por mais anos de vida potenciais perdidos (Portugal. MS. DGS, 2014). À medida que o número de sobreviventes com cancro aumenta, o follow-up acaba por ser encarado como a gestão de uma condição crónica, com um impacto significativo nos cuidados assistenciais hospitalares. A revisão da literatura sugere que o follow-up assegurado pelo médico de família é igualmente efetivo e resulta num maior grau de satisfação e saúde subjetiva reportada pelo doente, garantindo simultâneamente cuidados de proximidade e o continuum de cuidados. O objetivo deste trabalho consistiu em avaliar a viabilidade dos Cuidados de Saúde Primários (CSP) poderem assegurar o follow-up de doentes com cancro coloretal. Metodologia: Procedeu-se a uma pesquisa compreensiva da literatura na B-On através das palavras-chave “integration of care in oncology”, “integrated disease management in cancer”, “cancer patients follow-up”, “coloretal cancer follow-up”, “cancer survivorship”, “coloretal cancer primary care follow-up”. A determinação dos doentes com cancro coloretal que poderão ser encaminhados para os CSP no seu followup, qual o modelo de follow-up preferencial na nossa realidade e que condições devem ser garantidas para assegurar o follow-up destes doentes no modelo selecionado foi realizada recorrendo a um painel de peritos por TGN. Para o estudo de caso, procedeu-se à caraterização dos doentes com cancro coloretal em follow-up no HSM-CHLN, E.P.E., com base na informação registada na base de dados do CAML (N=511) de 2008 a 2013. A determinação do perfil de recursos consumidos foi feita com base nos dados fornecidos de forma anonimizada relativos a uma amostra de 30 casos de doentes com cancro coloretal de estádio II obtidos a partir do processo clínico eletrónico (PCE) no C.H.L.N, EPE. Resultados: Os resultados consensualizados por painel de peritos nacionais permitiram identificar como fator crítico a definição de um clinical pathway (processo assistencial clínico integrado) seguido da identificação dos critérios do Sistema organizacional e familiar. Devem ser esclarecidos os objetivos do programa de follow-up, o qual deve estar centrado no doente e existir uma gestão profissional da informação e do acesso hospitalar e a especialização com mais foco no survivorship. O painel considerou elegíveis para follow-up em cuidados partilhados os doentes com adenocarcinoma do colon tratados com intenção curativa, estádios I,II, III, sem sequelas terapêuticas incapacitantes e expetativa de vida superior a cinco anos e com estado funcional que permita a cirurgia de resseção de metástases no caso de recidiva. Relativamente aos doentes em follow-up no Hospital em análise, a média de idades é de 69,0 anos, maioritariamente do género masculino (57,7%) e adenocarcinoma do cólon (72,4%). A oncologia é a principal especialidade responsável pelo follow-up (56,2%), seguida pela cirurgia (21%). A medicina geral e familiar (MGF) surge com 0,4% apenas. 41% dos sobreviventes estão em follow-up há mais de três anos, dos quais 9% há mais de cinco anos se considerarmos como cut-off 31 de Janeiro de 2014. O custo anual ajustado do followup por doente é em média 539,09 €. Se considerarmos os doentes vivos à data da última atualização, i.e., 31 de Janeiro de 2014 (n=394) (77%), estes geraram 2930 consultas hospitalares de follow-up por ano, que equivalem a 12% do total de consultas reportadas em 2013 pela Oncologia Médica, 25% pela Unidade de Cirurgia Geral, 35% pela Cirurgia I e 37% pela Cirurgia II. Conclusão: O follow-up partilhado entre hospital e CSP deve assumir um caráter multidisciplinar tendo em conta a preferência do doente e garantindo a partilha de informação e comunicação intersectorial, com definição clara de responsabilidades, elaboração de um plano de cuidados a prestar e mecanismos de referenciação futura sempre que justificado. É recomendável que médicos hospitalares, médicos de MGF e representantes de sobreviventes com cancro se sentem e em multidisciplinaridade definam um plano de follow-up e processo assistencial adequado centrado no sobrevivente de cancro bem como materiais educacionais consentâneos a entregar aos sobreviventes e familiares. Para que um ciclo virtuoso se gere, reguladores e financiadores têm igualmente um papel crítico a desempenhar, adequando o modelo organizacional e financiamento dos CSP, com a criação de Indicadores específicos para o follow-up em conjunto com os profissionais de saúde, que simultaneamente premeiem os profissionais de saúde mas representem efetivamente um ganho em saúde para os sobreviventes de cancro traduzindo-se em mais e melhores cuidados, onde respeitando a noção de custo-efetividade, a qualidade e os resultados obtidos são a pedra basilar.
ABSTRACT - Background: In Portugal colorectal cancer is the second most common type of cancer. In 2012 it was the second tumor responsible for more potential life years lost (Portugal.MS.DGS, 2014). With the increasing number of cancer survivors, follow-up is perceived as the management of a chronic disease, with a significant impact on hospital care. The revision of literature suggest that follow-up by the family physician is equally effective and is associated with a higher level of patient satisfaction and patient reported subjective health, ensuring simultaneously care of proximity and the continuum of care. The objective of this study was to evaluate the viability of colorectal cancer patients’ follow-up by primary care setting. Methodology: The first approach was a comprehensive search of literature in B-On by the following key words: “integration of care in oncology”, “integrated disease management in cancer”, “cancer patients followup”, “colorectal cancer follow-up”, “cancer survivorship”, “colorectal cancer primary care follow-up”. Secondly the identification of colorectal patients who can be referred to primary care setting for follow-up, the preferential follow-up model for our reality and which conditions need to be in place to secure the follow-up of those patients in the selected model, was done by experts panel using the Nominal Technique Group. For the study of case, we have done the characterization of colorectal patients in follow-up at the HSMCHLN, EPE. , based on the information registered at the CAML database (N=511) from 2008 until 2013. The profile of economic resources consumed has taken place using anonymized data of a sample of 30 cases of colorectal patients stage II collected from the electronic patients diary at C.H.L.N, EPE. . Results: The consensus by the national experts panel identified as critical factor the definition of a clinical pathway (integrated clinical assistance process) followed by the organizational and familiar system. The objectives of the follow-up program need to be clarified, needs to be patient centered and a professional management of information and hospital access is required as a higher focus in survivorship as well. The panel considered eligible for shared-care follow-up at the primary care setting, patients with adenocarcinoma of colon treated with curative intention, stages I, II, III, without severe sequels and a life expectancy higher than five years, with a functional state that in case of recurrence allows surgery for resection of metastases. We also found out that the patients in follow-up at the Hospital in study, were in average 69 years old, mainly male (57.7%) and with adenocarcinoma of colon (72.4%). The oncology is the main specialty responsible for the follow-up (56.2%), followed by surgery (21%). Primary care physicians have the follow-up responsibility only in 0.4% of cases. 41% of survivors are in follow-up for more than three years, of those 9% for more than five years, considering the cut-off of January 31st 2014. The annual adjusted cost of follow-up per patient is in average €539.09.Considering the patients alive at the database last update, that is, 31st of January 2014 (n=394) (77%), those patients have generated 2930 follow-up hospital appointments per year. These number of appointments represent 12% of the total number of oncology appointments reported in 2013, 25% of the General Surgery Unit and, 35% of Surgery I and 37% of Surgery II 2013 appointments activity. Conclusion: The shared-care follow-up between hospital and primary care setting should have a multidisciplinary approach taking into consideration patient’s preference, ensuring that information and communication are shared inter-settings with a clear definition of a Survivor Plan and mechanisms for future referencing when justified. It’s recommended that hospital physicians, primary care physicians and cancer survivors define together in a multidisciplinary environment a follow-up plan and an appropriate process of care centered at the cancer survivor and educational materials as well for cancer survivors and families. For the generation of a virtuous cycle, regulators and payers play a critical role designing the appropriate organizational and financing models for primary care setting, with the creation of specific indicators for follow-up, in conjunction with health care professionals, which simultaneously compensate health care professionals and represent effectively a gain in health for cancer survivors translating into more and better care, while respecting the cost-effectivity, quality and outcomes are core.
Descrição: Trabalho Final do Curso de Especialização em Administração Hospitalar
URI: http://hdl.handle.net/10362/18203
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