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Orientador(es)
Resumo(s)
A presente dissertação de doutoramento propõe-se a analisar criticamente a
noção de obra de arte participativa, traduzida pela designação de obra “faça-você-
-mesmo”, que apela à participação ativa e ao agenciamento do público que se tornam
parte integrante do processo criativo engendrado pela obra. A nossa reflexão sobre a
obra “faça-você-mesmo” insere-se no contexto da “cultura da participação” e da
expansão dos media sociais e tem como principal objeto de estudo a obra participativa
nas artes digitais.
Esta tese postula uma análise das práticas participativas nas artes digitais à luz
de uma genealogia artística e crítica que atravessa o século XX e é marcada pela
experimentação com a ativação do público e a abertura da obra, traduzindo-se numa
instabilização de limites entre arte, quotidiano e sociedade.
A nossa abordagem metodológica enraíza-se numa tradição de pensamento
crítico e interdisciplinar próprio das humanidades sendo que recorremos à articulação
entre teoria crítica e análise de casos concretos. Assim, de modo a compreender a
experiência do público com a obra participativa, elaborámos um conjunto de conceitos
que nos permitem conceber uma estética da participação nas artes digitais.
Paralelamente, de forma a conhecermos o universo temático das práticas participativas
nas artes digitais, criámos uma proposta de três linhas temáticas no âmbito das quais
analisámos múltiplas obras concretas, colocando-as em relação com os seus contextos
sociais, culturais e políticos.
As obras “faça-você-mesmo”, descritas nesta dissertação, tendem a situar-se
numa posição intermédia entre os dois extremos das práticas artísticas autónomas “auto-
-reflexivas” e dos projetos artísticos comunitários, que visam facilitar discussões e
sugerir soluções para problemas concretos. Algumas das obras participativas discutidas
neste estudo possuem caraterísticas em comum com a atitude “faça-você-mesmo”
preconizada por determinadas formas de ativismo político, nomeadamente, a
organização não-hierárquica, a autonomia e a participação direta dos voluntários.
Ao convocar a participação do público, a obra “faça-você-mesmo” constitui-se
como um projeto dialógico de experimentação criativa que se pode articular com uma
dimensão política. Porém, este estudo salienta que a obra de arte participativa deve ser
vista à luz de uma tensão entre disrupção e incorporação, liberdade e controlo que
carateriza a dinâmica das redes digitais e do capitalismo contemporâneo.
A presente dissertação propõe de modo fundamentado três linhas de
investigação futura. Primeiramente, a exploração do campo das práticas curatoriais e
museológicas em ambientes participativos. Seguidamente, a análise do modo como o
campo da arte contemporânea e a condição do artista vão evoluir sob a influência do
acesso generalizado aos meios de produção e distribuição artística nomeadamente
através da World Wide Web. Por fim, o estudo dos novos regimes de interação e
expressividade das imagens nas redes digitais.
Descrição
Palavras-chave
Obra de arte participativa Obra “faça-você-mesmo” Artes digitais Arte contemporânea estética da participação cultura da participação Media digitais Media sociais Participatory artwork “do-it-yourself” work Digital arts contemporary art Aesthetics of participation Culture of participation Digital media Social media
