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Please use this identifier to cite or link to this item: http://hdl.handle.net/10362/7879

Título: Villa romana do Rabaçal, Penela, Portugal. Um centro na periferia do império e do território da civitas de Conímbriga. Estudo de mosaicos
Autor: Pessoa, Miguel Simões da Fonte
Palavras-chave: Rabaçal, Villa
Antiguidade Tardia
Mosaicos
Issue Date: Jul-2012
Editora: Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa
Resumo: Pretende-se com esta investigação sobre a Villa romana do Rabaçal, descoberta a partir de 1984, no território da ciuitas de Conímbriga, Conuentus Scallabitanus, da província da Lusitânia, reunir e caracterizar as suas colecções, no âmbito da arte e sociedade da Antiguidade Tardia, e contextualizá-las tanto localmente como alargando a sua compreensão ao magnífico conjunto de Villae com mosaicos, na sua maior parte tardias, descobertas na Península Ibérica, bem como na bacia do Mediterrâneo. A pars urbana da Villa do Rabaçal, inteiramente escavada, apresenta um vasto peristilo octogonal para o qual se abrem um pórtico e salas de recepção, ornados de mosaicos sumptuosos de produção médio-oriental, os quais suscitam intrigantes questões, como a de não serem comparáveis com outros do território português, nem mesmo com os das oficinas de Conímbriga, cidade esta que se situa na sua imediata proximidade. Os paralelos terão de ir buscar-se além-fronteiras e no quadro de diferentes contextos da Antiguidade Tardia (séculos III/IV-VIII). Mas os artífices que os executaram eram possuidores de boa técnica, conheciam e interpretavam bem os modelos. Devemos estar perante obra de oficina itinerante, que procuraremos definir nesta investigação, e da qual talvez venhamos, no futuro, a conhecer outros produtos. Esta Villa é considerada, até agora, a estação arqueológica mais importante da área que dependia administrativamente da antiga cidade de Conímbriga. Trata-se da residência de um grande proprietário, cujas terras, de dimensão dificilmente calculável, poderiam credivelmente alcançar mais de 100 hectares. O proprietário vivia numa residência sumptuosa, com seu edifício de banhos próprio, e instalações para os seus numerosos criados e todos os edifícios que uma casa de lavoura exigia. Os séculos IV, V e VI foram, durante muito tempo, considerados como época de escassa produção artística nesta parte ocidental da Península. Se para o Império e os Reinos que lhe sucederam este foi efectivamente um período de crise política e financeira, a verdade é que deve ter havido grandes e sólidas fortunas particulares. Deduz-se isso da riqueza arquitectónica e decorativa de muitas Villae e edifícios de culto cristão construídos ainda na segunda metade do século IV e séculos V e VI. Por outro lado, parece haver, nessas Villae, grande variedade de soluções arquitectónicas quer a nível das plantas, quer dos alçados. Da comparação de exemplos bem datados parece deduzir-se a ausência da estandardização e, pelo contrário, um espírito industrioso e inventivo dos arquitectos de um período que preludia a arte bizantina. A história da arquitectura privada do século IV e V vai certamente trazer muitas surpresas. É também objectivo desta investigação, dado estarmos na Villa romana do Rabaçal em presença de um objecto artístico de uma grande originalidade (tipologia, aspectos construtivos e decoração), definir os seus conteúdos e paralelos, dado ser fundamental, nesse período, para caracterizar a fase protobizantina da história da arte em Portugal, no âmbito da evolução de uma linha de continuidade da matriz clássica e das suas transformações resultantes da integração do cristianismo na sociedade na Antiguidade Tardia.
Descrição: Dissertação apresentada para cumprimento dos requisitos necessários à obtenção do grau de Doutor em História da Arte da Antiguidade.
URI: http://hdl.handle.net/10362/7879
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