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Please use this identifier to cite or link to this item: http://hdl.handle.net/10362/6307

Título: Verdade e enigma no pensamento estético de Adorno
Autor: Cachopo, João Pedro de Bastos Gonçalves
Orientador: Molder, Maria Filomena
Palavras-chave: Verdade
Enigma
Estética
Adorno
Arte
Crítica
Aparência
Issue Date: Mar-2011
Editora: Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa
Resumo: A presente dissertação debruça-se sobre o pensamento estético de Adorno e procura esclarecer aquele que é talvez o seu desafio mais decisivo: a captação e a exploração críticas do «teor de verdade» de obras de arte. Que a verdade da arte, segundo Adorno – para quem esta questão se declina no singular, a respeito de obras de arte concretas –, seja inseparável do seu potencial crítico, da sua negatividade, é insofismável. Contudo, esse potencial revela-se irredutível à lógica de uma arte explicitamente política e não é possível pensá-lo abstraindo da imanência dos processos artísticos. Em consonância com a insistência de Adorno na tese de que o potencial crítico da arte e a sua autonomia não se contradizem, a dialéctica entre «verdade» e «aparência» ocupou um lugar central na recepção da estética de Adorno. Nos termos dessa dialéctica, de que nos ocuparemos na Primeira Parte, a arte é crítica não só na medida em que certas obras de arte exibem a negatividade do real, mas também por nelas aparecer justamente o que de súbito escapa a essa mesma negatividade. O «teor de verdade» seria então a «aparência do não-aparente», ou seja, a aparência da reconciliação de contradições que, sendo as do real, penetraram historicamente na esfera imanente das artes. Ora, é para desequilibrar esta dialéctica entre verdade e aparência – que, como tentaremos explicitar, não faz justiça à estética de Adorno, na medida em que permite confundi-la com uma estética de carácter utópico – que deslocaremos a nossa atenção, na Segunda Parte, para o conceito de «enigma» e para a sua relação com o de «verdade». Segundo a nossa hipótese – e baseando-nos sempre em passagens decisivas da Teoria Estética, bem como de outros textos dispersos pelo corpus adorniano – o «teor de verdade» de obras de arte jogar-se-ia eminentemente no facto de estas, em virtude do seu «carácter enigmático», resistirem à interpretação. Em vários casos – sendo que nos deteremos nos estudos dedicados a Beethoven, a Kafka, a Hölderlin, a Beckett e a Mahler – o âmago da estética adorniana residiria no desdobramento dos efeitos críticos de uma tal experiência do «enigmático». Ou seja, cabe salientar que, para Adorno, a arte, considerando o seu potencial crítico, não se limita a denunciar o real – sob a figura do «protesto» – ou a antecipar um outro real por vir – sob a figura da «utopia» – mas, enquanto «enigma», lança a razão numa crise de compreensão que abala as condições de inteligibilidade do real e, consequentemente, da sua possível transformação. Assim, na esteira da exploração das vertentes negativa e afirmativa da arte em relação ao «carácter enigmático», a nossa pesquisa desembocará na hipótese de que, por mor tanto da captação da sua singularidade quanto do enfoque na sua actualidade, convém destacar na estética adorniana o conceito de «enigma» – em detrimento dos de «belo» e de «sublime» – e pensá-la como uma «estética do enigmático».
Descrição: Dissertação apresentada para cumprimento dos requisitos necessários à obtenção do grau de Doutor em Filosofia Contemporânea
URI: http://hdl.handle.net/10362/6307
Appears in Collections:FCSH: DF - Teses de Doutoramento

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