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http://hdl.handle.net/10362/5522
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| Title: | Síndrome de apneia hipopneia obstrutiva do sono e óxido nítrico : que relação ? |
| Authors: | Pinto, Paula Maria Gonçalves |
| Advisor: | Gomes, Maria João Marques Caetano, Maria Cristina de Brito Eusébio Bárbara Prista |
| Keywords: | Sleep Apnea Syndromes Nitric Oxide |
| Issue Date: | 2009 |
| Publisher: | Faculdade de Ciências Médicas. Universidade Nova de Lisboa |
| Abstract: | RESUMO: A síndrome de apneia hipopneia obstrutiva do sono (SAHOS), pela sua prevalência e consequências clínicas, nomeadamente as de natureza cardiovascular, é actualmente considerada um problema de saúde pública.
A patogénese da doença cardiovascular na SAHOS não está ainda completamente
estabelecida, mas parece ser multifactorial, envolvendo diversos mecanismos que
incluem a hiperactividade do sistema nervoso simpático, a disfunção endotelial, a
activação selectiva de vias inflamatórias, o stress oxidativo vascular e a disfunção
metabólica.
A terapêutica com CPAP diminui grandemente o risco de eventos cardiovasculares
fatais e não fatais. O CPAP está inequivocamente indicado para o tratamento da
SAHOS grave, no entanto, não é consensual a sua utilização nos doentes com SAHOS
ligeira/moderada sem hipersonolência diurna associada. Tendo em conta este facto, é
fundamental que as indicações terapêuticas do CPAP nestes doentes tenham uma
relação custo-eficácia favorável. Assim, dado o posicionamento do estado da arte
relativamente ao estudo da disfunção endotelial e da activação do sistema nervoso
simpático estar centrada maioritariamente nos doentes com SAHOS grave,
desenvolvemos este estudo com o objectivo de comparar os níveis plasmáticos de
nitratos, os níveis de catecolaminas urinárias e os valores de pressão arterial nos doentes com SAHOS ligeira/moderada e grave e avaliar a resposta destes parâmetros ao tratamento com CPAP durante um mês.
Realizámos um estudo prospectivo, incidindo sobre uma população de 67 doentes do
sexo masculino com o diagnóstico de SAHOS (36 com SAHOS ligeira/moderada e
31com SAHOS grave). O protocolo consistia em 3 visitas: antes da terapêutica com
CPAP (visita 1), uma semana após CPAP (visita 2) e um mês após CPAP (visita 3). Nas visitas 1 e 3, eram submetidos a três colheitas de sangue às 11 pm, 4 am e 7 am para
doseamento dos nitratos plasmáticos e na visita 2 apenas às 7 am. Nas visitas 1 e 3 era
também efectuada uma colheita de urina de 24 horas para o doseamento das
catecolaminas urinárias e eram submetidos a uma monitorização ambulatória da pressão
arterial de 24 horas (MAPA). Foi ainda estudado um grupo controlo de 30 indivíduos do
sexo masculino não fumadores sem patologia conhecida e sem evidência de SAHOS.
Antes da terapêutica com CPAP, verificou-se uma diminuição significativa dos níveis
de nitratos ao longo da noite quer nos doentes com SAHOS ligeira/moderada, quer nos
doentes com SAHOS grave. No entanto, esta redução diferia nos 2 grupos de doentes,
sendo significativamente superior nos doentes com SAHOS grave (27,6±20,1% vs
16,5±18,5%; p<0,05). Após um mês de tratamento com CPAP, verificou-se um
aumento significativo dos valores de nitratos plasmáticos apenas nos doentes com
SAHOS grave, mantendo-se os níveis de nitratos elevados ao longo da noite, já não
existindo o decréscimo desses valores ao longo da mesma.
Os valores de noradrenalina basais eram significativamente superiores nos doentes com
SAHOS grave comparativamente com os doentes com SAHOS ligeira/moderada
(73,9±30,1μg/24h vs 48,5±19,91μg/24h; p<0,05). Após um mês de terapêutica com
CPAP, apenas se verificou uma redução significativa nos valores da noradrenalina nos
doentes com SAHOS grave (73,9±30,1μg/24h para 55,4±21,8 μg/24h; p<0,05).
Os doentes com SAHOS grave apresentaram valores de pressão arterial mais elevados
do que os doentes com SAHOS ligeira/moderada, nomeadamente no que diz respeito aos valores de pressão arterial média, sistólica média de 24 horas, diurna e nocturna e diastólica média de 24 horas, diurna e nocturna. Após um mês de terapêutica com CPAP, verificou-se uma redução significativa dos valores tensionais apenas nos doentescom SAHOS grave, para a pressão média (-2,32+5,0; p=0,005), para a sistólica média de 24 horas (-4,0+7,9mmHg; p=0,009), para a pressão sistólica diurna (-4,3+8,8mmHg;
p=0,01), para a pressão sistólica nocturna (-5,1+9,0mmHg; p=0,005), para a pressão
diastólica média de 24 horas (-2,7+5,8mmHg; p=0,016), para a pressão diastólica diurna
(-3,2+6,3mmHg; p=0,009) e para a pressão diastólica nocturna (-2,5+7,0mmHg;
p=0,04). Os níveis tensionais dos doentes com SAHOS grave após CPAP atingiram
valores semelhantes aos dos doentes com SAHOS ligeira/moderada, relativamente a
todos os parâmetros avaliados no MAPA.
Este estudo demonstrou que antes do tratamento com CPAP, existe uma redução dos
níveis de nitratos ao longo da noite não só nos doentes com SAHOS grave mas também
nos doentes com SAHOS ligeira/moderada. No entanto, a terapêutica com CPAP leva a
um aumento significativo dos valores de nitratos plasmáticos apenas nos doentes com
SAHOS grave, mantendo-se os níveis de nitratos elevados ao longo da noite, já não
existindo o decréscimo desses valores ao longo da mesma.
O tratamento com CPAP durante um mês, apenas reduz os níveis de noradrenalina urinária e os valores de pressão arterial nos doentes com SAHOS grave.------------ ABSTRACT: In severe obstructive sleep apnea (OSA) reduced circulating nitrate, increased levels of
urinary norepinephrine (U-NE) and changes in systemic blood pressure (BP) have been
described and are reverted by Continuous Positive Airway Pressure (CPAP). However,
the consequences of mild/moderate OSA on these parameters and the CPAP effect upon
them are not well known.
We aimed to: 1) compare the levels of plasma nitrate (NOx) and U-NE of mild/moderate
and severe male OSA patients 2) compare BP in these patient groups; and 3) determine
whether CPAP improves sympathetic dysfunction, nitrate deficiency and BP in these patients.
This prospective study was carried out in 67 consecutive OSA patients (36 mild/moderate and 31 severe patients) and NOx (11 pm, 4 am, 7 am), 24-h U-NE and ambulatory blood pressure monitoring were obtained before and after 4 weeks of CPAP. Baseline: NOx levels showed a significant decrease (p<0.001) during the night in both groups of patients. The U-NE and BP were significantly higher in the severe group. Post CPAP: After one month of CPAP, there was a significant increase of NOx, a reduction of U-NE and BP only in severe patients. This study shows that in contrast to severe OSA patients, those with mild/moderate OSA, which have lower values of BP and U-NE at baseline, do not benefit from a 4 weeks CPAP treatment as measured by plasma nitrate, 24-h U-NE levels and BP. |
| URI: | http://hdl.handle.net/10362/5522 |
| Appears in Collections: | FCM: Pneumologia - Teses de Doutoramento
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