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http://hdl.handle.net/10362/4814
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| Title: | Interacção Parasita-Hospedeiro e susceptibilidade de Leishmania infantum a fármacos |
| Authors: | Maia, Carla |
| Advisor: | Campino, Lenea |
| Keywords: | pc pc2011 |
| Issue Date: | 2008 |
| Abstract: | RESUMO
As leishmanioses são doenças causadas por um protozoário intracelular pertencente à
ordem Kinetoplastida, da família Trypanosomatidae, do género Leishmania. Os
parasitas são transmitidos aos hospedeiros vertebrados por dípteros pertencentes à
sub-família Phlebotominae.
Devido à inexistência de vacinas a quimioterapêutica continua a representar o único
mecanismo de prevenção e controlo. Os fármacos de primeira linha para o tratamento
da leishmaniose visceral continuam a ser os antimoniais pentavalentes e a
anfotericina B (AMB). A AMB lipossómica está a ser cada vez mais utilizada como
1ª linha. O conhecimento do(s) mecanismo(s) utilizados pelos parasitas, responsáveis
pela resistência, é fundamental de modo a permitir o desenvolvimento de novos
fármacos anti-Leishmania que possam substituir e/ou complementar os fármacos
existentes, de uma forma eficaz assim como contribuir para o desenvolvimento de
metodologias para avaliar e monitorizar a resistência.
Espera-se do modelo animal a reprodução da infecção na Natureza. Os modelos
canino e murino têm ajudado na compreensão dos mecanismos responsáveis pela
patogénese e pela resposta imunitária à infecção por Leishmania.
Sendo o cão o principal hospedeiro da infecção por L. infantum e o principal
reservatório doméstico da leishmaniose visceral humana, procedeu-se à
caracterização da evolução da infecção experimental em canídeos de raça Beagle
através da análise clínica, hematológica, histopatológica, parasitária, assim com
através da resposta imunitária desenvolvida. As alterações hematológicas observadas
foram as associadas à leishmaniose visceral: anemia, leucopenia, trombocitopenia
com aumento das proteínas totais e da fracção gama-globulina, e diminuição da
albumina. Histologicamente observou-se nos órgãos viscerais uma reacção
inflamatória crónica, acompanhada por vezes da formação de granulomas ricos em
macrófagos. Apesar de todos os animais terem ficado infectados (confirmado pela
presença do parasita nos vários tecidos e órgãos recolhidos na necrópsia), os únicos
sinais clínicos observados transitoriamente foram adenopatia e alopécia. As técnicas
moleculares foram significativamente mais eficazes na detecção do parasita do que os
métodos parasitológicos convencionais. As amostras não invasivas (sangue periférico
e conjuntiva) mostraram ser significativamente menos eficazes na detecção de
leishmanias. No nosso modelo experimental não se observou a supressão da resposta
celular ao antigénio parasitário e confirmou-se que, apesar de não protectora, a
resposta humoral específica é pronunciada e precoce. A bipolarização da resposta
imunitária Th1 ou Th2, amplamente descrita nas infecções experimentais por L.
major no modelo murino, não foram observadas neste estudo. O facto dos animais
não evidenciarem doença apesar do elevado parasitismo nos órgãos viscerais poderá
estar relacionado com a expressão simultânea de citocinas de ambos os tipos Th1 e
Treg, no baço, fígado, gânglio, medula óssea e sangue periférico.
Neste estudo também se caracterizou o efeito da saliva do vector Phlebotomus
perniciosus na infecção experimental de murganhos BALB/c com estirpes de L.
infantum selvagem e tratada com AMB, inoculadas por via intradérmica. A
visceralização da infecção ocorreu após a utilização da via de administração do
inóculo que mais se assemelha ao que ocorre na Natureza. Apesar da disseminação
dos parasitas nos animais co-inoculados com extracto de uma glândula salivar ter sido
anterior à do grupo inoculado apenas com parasitas, não se detectaram diferenças
significativas na carga parasitária, entre os três grupos, ao longo do período de
observação pelo que, embora a saliva do vector esteja descrita como responsável pela
exacerbação da infecção, tal não foi observado no nosso estudo. O aumento de
expressão de citocinas esteve relacionado com o aumento do parasitismo mas, tal
como no modelo canino, não se observou bipolarização da resposta imunitária. Os
animais dos três grupos infectados parecem ter desenvolvido nos diferentes órgãos
uma resposta mista dos tipos Th1 e Th2/Treg. Contudo, verificou-se a predominância
da expressão Th1 (TNF-α), no fim do período de observação, o que pode estar
relacionado com a resolução da infecção.
Por outro lado, a presença de parasitas na pele dos animais inoculados com a
estirpe L. infantum tratada com AMB permite colocar a hipótese da existência de
parasitas resistentes na Natureza e destes poderem ser transmitidos.
Após se ter verificado que a estirpe de L. infantum tratada com AMB tinha a
capacidade de infectar e visceralizar no modelo murino, analisou-se o seu
comportamento em dois dos principais vectores de L. infantum, Lutzomyia
longipalpis e P. perniciosus. Os parasitas tratados com AMB apresentaram uma
menor capacidade de permanecerem no interior do vector assim como um
desenvolvimento mais lento apontando para uma menor capacidade de transmissão
das estirpes resistentes a este fármaco, pelo que o tratamento com AMB poderá ser
favorável à prevenção e controlo através da interrupção do ciclo de vida do parasita.
De modo a determinar in vitro a susceptibilidade de Leishmania aos diferentes
fármacos utilizados na terapêutica da leishmaniose humana e canina (Glucantime®,
Fungizone®, miltefosine e alopurinol) comparou-se o sistema de promastigotas
axénicos com o sistema amatigota-macrófago. Verificou-se que, para as estirpes
estudadas, os resultados de ambos os sistemas não apresentavam diferenças
significativas sendo a utilização do primeiro mais vantajosa ao ser menos moroso e de mais fácil execução. Seleccionaram-se estirpes quimio-resistentes in vitro, por
exposição prolongada a doses crescentes de AMB, tendo-se verificado que os
parasitas tratados, apresentaram uma menor susceptibilidade do que os não tratados à
acção dos fármacos estudados, com excepção do alopurinol. A diminuição da
susceptibilidade das estirpes aos fármacos utilizados poderá facilitar a dispersão de
parasitas multiresistentes. Sendo a apoptose um dos mecanismos utilizados pelos
parasitas para evitar a indução de uma resposta imune por acção de compostos anti-
Leishmania, determinou-se o número de amastigotas apoptóticos assim como a
produção de TNF-α e IL-10 pelos macrófagos tratados. Concluiu-se que os
compostos conseguiram suprimir a produção de IL-10, inibidora da activação dos
macrófagos, contudo nem a produção da citocina pro-inflamatória TNF- α nem a
apoptose pareceram ser os principais mecanismos responsáveis à sobrevivência dos
parasitas ao contacto com os fármacos. |
| URI: | http://hdl.handle.net/10362/4814 |
| Appears in Collections: | IHMT: PM - Teses de Doutoramento
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