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http://hdl.handle.net/10362/3987
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| Title: | Contributo para o estudo da influência do stress na resposta imunitária à vacina contra a gripe em profissionais de saúde |
| Authors: | Resende, Ema Maria Sacadura Leite |
| Advisor: | Uva, António Neves Pires de Sousa |
| Keywords: | Saúde e Segurança do Trabalho Saúde Ocupacional Medicina do Trabalho Stresse Stresse relacionado com o trabalho Imunidade Stressores Enfermeiros Vacina contra a gripe |
| Issue Date: | 2008 |
| Publisher: | Escola Nacional de Saúde Pública. Universidade Nova de Lisboa |
| Abstract: | Resumo: Os profissionais de saúde podem estar expostos a vários factores indutores de stress crónico
nomeadamente de natureza profissional destacando-se, entre os seus possíveis efeitos, a diminuição
da resposta de anticorpos após administração de vacinas, entre as quais, a vacina contra a gripe. Uma
vez que os trabalhadores da saúde estão expostos a factores indutores de stress e, simultaneamente, a
agentes biológicos cujos efeitos poderão ser prevenidos pela vacinação, é pertinente estudar a
influência do stress na resposta imunitária à vacina contra a gripe em enfermeiros.
Constituíram objectivos deste trabalho: (1) estudar a associação entre a presença de stress crónico em
enfermeiros hospitalares e a “insuficiente” resposta imunitária à vacina contra a gripe, avaliada um
mês após a vacinação (T1); (2) estudar a associação entre a presença de stress crónico em enfermeiros
hospitalares e a redução dos títulos de anticorpos dirigidos às hemaglutininas seis meses após a
vacinação (T6) e (3) identificar algumas características das unidades de internamento e do trabalho
dos participantes que possam estar associadas à presença de stress crónico e estudar a sua possível
associação com a resposta imunitária à vacina contra a gripe.
Realizou-se um estudo caso-controlo incorporado num estudo de coortes e a amostra em estudo foi
constituída por 136 enfermeiros saudáveis (83,8% sexo feminino; média de idades de 33anos) de um
hospital universitário. Realizaram-se entrevistas individuais e aplicaram-se as versões portuguesas
dos questionários The General Health Questionnaire (GHQ12) e Maslach Burnout Inventory –
Human Services Survey (MBI-HSS) para determinação da presença de stress crónico pelo método da
triangulação, no início do estudo (T0) e realizou-se a recolha de dados relativos à caracterização de
elementos de trabalho nas unidades de internamento. Foi administrada a vacina contra a gripe e
determinou-se os títulos de anticorpos dirigidos às hemaglutininas de cada estirpe componentes da
vacina contra a gripe utilizada em 2007, antes da vacinação, um mês e seis meses após a vacinação.
Não se encontrou associação, ao nível de significância de 5%, entre a presença de stress e a
“insuficiente” resposta à vacina contra a gripe, avaliada pela taxa de indivíduos que apresentaram um
aumento, ao fim de um mês, inferior a quatro vezes os títulos de anticorpos antes da vacinação. No
entanto, encontrou-se uma maior proporção de indivíduos com stress no grupo de participantes em
que ocorreu uma diminuição do título de anticorpos dirigidos à hemaglutinina AH1 (ac AH1) em T6,
quando comparado com o respectivo grupo controlo. A diferença entre grupos foi estatisticamente
significativa, quando se avaliou a presença de stress pelo método da triangulação usando a entrevista
(p=0,006), pelo método da triangulação usando o GHQ12 (p=0,045) e ainda usando a combinação dos
três critérios (p=0,001). Após análise multivariada, verificou-se que a associação entre a presença de
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stress e a redução dos ac AH1 em T6 manteve significado estatístico (respectivamente, p= 0,010,
p= 0,042 e p=0,002) e apresentou odds ratio ajustados, em função de cada um dos métodos de
avaliação da presença de stress, de 3,643, de 2,733 e de 5,223.
A quantidade de trabalho percepcionada como sobrecarga constituiu o factor indutor de stress mais
vezes referido (58,8% da amostra e 61,8% dos enfermeiros de unidades de internamento), seguida
dos conflitos entre profissionais. O contacto com o sofrimento e a morte de doentes foram
identificados em quarto lugar pela amostra, mas em segundo pelos enfermeiros de unidades de
internamento. Nesses, verificou-se uma associação positiva entre trabalhar em Serviços onde o
número de doentes falecidos foi muito elevado e a presença de stress, medido pelo método da
triangulação usando a entrevista (p=0,039), usando o GHQ12 (p=0,019), usando a escala de exaustão
emocional do MBI-HSS (p=0,012) e pela combinação dos três métodos (p=0,014). Verificou-se
também uma associação positiva entre a presença de stress, identificada pelo método da triangulação
usando a escala de exaustão emocional do MBI-HSS, e o trabalho em serviços de internamento onde
a percentagem de doentes idosos (p=0,025) e a taxa de letalidade (p=0,036) foram elevadas.
Contudo, não se encontrou associação entre a exposição muito frequente ao sofrimento e à morte de
doentes e a redução do título de ac AH1 em T6. Possivelmente, a exposição a esse factor indutor de
stress, apesar de estar relacionada com a presença de stress nos enfermeiros de serviços de
internamento, não foi suficientemente intenso para, por si só, estar associada à redução do título de ac
AH1 em T6.
A associação encontrada entre a presença de stress crónico e a redução do título de anticorpos AH1
em T6 vem apoiar a resposta à questão de investigação inicialmente colocada de que o stress poderá
influenciar negativamente a manutenção dos títulos de anticorpos, mesmo em indivíduos adultos não
idosos. Assim, o risco de um enfermeiro com stress apresentar redução do título de anticorpos
dirigidos à hemaglutinina da estirpe AH1N1 – A/Solomon Islands/3/2006 ao fim dos seis meses do
estudo, foi 3,6, 2,7 ou 5,2 vezes superior ao de um enfermeiro sem stress, consoante o critério de
stress ter sido determinado, respectivamente, pelo método da triangulação usando a entrevista, pelo
método da triangulação utilizando o GHQ12 ou pela combinação dos três critérios. Summary: Health workers may be exposed to various factors causing chronic stress namely those related
directly to their activity, in particular the decrease in the capacity of the response of antibodies
after the administration of the vaccines, amongst others the Influenza vaccine. Since health
workers are exposed to factors causing stress and at the same time biological agents, whose
effects may be prevented through vaccination, it is important to study the influence of stress in
the immunity response to the Influenza vaccine on nurses.
The aims of this study are: (1) to examine the relation between chronic stress in hospital nurses
and the “insufficient” immunity response to the Influenza vaccine, assessed at one month after
vaccination (T1); (2) to examine the relation between chronic stress in hospital nurses and the
decrease of the hemagglutinin titles of antibodies six months after vaccination (T6); (3) to
identify some characteristics of internment units and the work of the participants that may be
related to the presence of chronic stress and to study its possible relation with the immunity
response to the Influenza vaccine.
A control-case study, integrated in a coortes study, was carried out and the sample under
analysis consisted of 136 healthy nurses (83,8% female; average age 33 years old) from a
university hospital. Several individual interviews were conducted and the portuguese versions of
General Health Questionnaire (GHQ12) and Maslach Burnout Inventory – Human Services
Survey (MBI-HSS) was applied in order to determine the presence of chronic stress, using the
triangulation method at the beginning of the study (T0). Data concerning the particular features
of the internment units was collected. The Influenza vaccine was administered and the titles of
hemagglutinin antibodies of each strain composing the Influenza vaccine used in 2007, before
vaccination, and a month and six months after vaccination, were determined.
There was no statistically relevant (5%) relation between stress and the “insufficient” immune
response to the Influenza vaccine, according to the rate of individuals that showed, after a
month, a level of antibodies concentration lower than four times the level prior to the
vaccination. Nevertheless, there was a greater number of individuals with stress in the group of
participants in which there was a decrease of the hemagglutinin titles of antibodies AH1 (ac
AH1) in T6, when compared to the control group under study. The difference between groups
was statistically relevant when assessing the presence of stress by triangulation method using the
interview (p=0,006), by triangulation method using the GHQ12 (p=0,045) and by the
combination of the three criteria (p=0,001). After multivariate analysis, it was verified that the
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relation between the presence of stress and the reduction of the ac AH1 in T6 was statistically
relevant (respectively, p= 0,010, p= 0,042 and p=0,002) and the odds ratio were, according to
each of the methods used to assess the presence of stress, 3,643, 2,733 and 5,223.
Overwork was the most emphasised stress-causing factor (58,8% of the sample and 61,8% of the
nurses working in the Internment Units), followed by conflicts arousing among co-workers.
Witnessing the suffering and death of patients was ranked as the fourth cause of stress, but the
second by the nurses of the internment units. The former revealed a positive connection between
working in the services, where there was a high rate of deaths, and the presence of stress, when
assessing the presence of stress by triangulation method using the interview (p=0,039), the
GHQ12 (p=0,019), the MBI-HSS emotional exhaustion scale (p=0,012) and by the combination
of the three criteria (p=0,014).There was also a connection between the presence of stress,
identified by the method of triangulation using the MBI-HSS emotional exhaustion scale, and
working in the internment units, where the percentage of elderly people (p=0,025) and the
mortality rate (p=0,036) were high. However, there was no connection between frequent
exposure to suffering and death in patients and the reduction of ac AH1 titles, in T6. Although
one can establish a connection between stress in nurses working in the internment units and the
aforementioned stress-causing factor, the exposure to that factor was not, per se, intense enough
to reduce the ac AH1 title in T6.
The relation found between the presence of chronic stress and the reduction of AH1 antibodies
titles in T6, corroborates the hypothesis that stress can negatively influence the title of antibodies,
even in non-elderly adults. Thus, and according to the criteria used to define stress, by the
triangulation method using the interview, by the triangulation method using the GHQ12 or the
combination of the three criteria respectively, the risk of a nurse suffering from stress showing a
reduction in the title of hemagglutinin antibodies for the strain AH1N1 – A/Solomon
Islands/3/2006 six-month after Influenza vaccine was 3,6, 2,7 or 5,2 times greater than on a
nurse suffering from no stress at all. Résumé: Les professionnels de la santé peuvent être exposés à différents facteurs inducteurs de stress
chronique de nature professionnelle. On remarque, parmi les effets possibles, une baisse de la
réponse des anticorps après l´administration de vaccins, comme en particulier, le vaccin de la grippe.
Lorsque les professionnels de la santé ont été exposés à des facteurs inducteurs de stress, et de
manière simultanée, à des agents biologiques dont les effets pourront être prévenus par la
vaccination, il est pertinent d´étudier l´influence du stress dans la réponse immunitaire au vaccin de
la grippe chez les infirmiers.
Ils ont constitué des objectifs d´études et de discussion :
(1) étudier l´association entre la présence de stress chronique chez les infirmiers, en milieu
hospitalier, et la “insuffisant” réponse immunitaire au vaccin de la grippe, vérifiée à un mois après la
vaccination (T1); (2) étudier l´association entre la présence de stress chronique chez les infirmiers, en
milieu hospitalier, et la réduction de la teneur des anticorps dirigé à la hémaglutinina six mois après
la vaccination (T6) (3) identifier certaines caractéristiques des unités d´internement, et étudier les
aspects du travail des participants, qui puissent être associée à la présence de stress chronique et
étudier sa possible association avec la réponse immunitaire au vaccin de la grippe.
Une étude cas-contrôle incorporée dans une étude de groupe a été réalisée et un échantillon, pour
étude, a été constitué par 136 infirmiers sains (83,8% de sexe féminin, âge moyen 33 ans) travaillant
dans un hôpital universitaire. Des entretiens individuels ont été réalisés et les versions portugaises
des questionnaires de General Health Questionnaire (GHQ12) et Maslach Burnout Inventory- Human
Service Survey (MBI-HSS) ont été utilisés pour déterminer la présence de stress chronique grâce à la
méthode de triangulation, au début de l´étude (T0) et un relevé de données relatives à la
caractérisation d´éléments de travail dans les unités d´internement a été fait. Le vaccin de la grippe a
été administré et les teneurs en anticorps dirigés aux hémaglutininas de chaque composant du vaccin
de la grippe pour 2007 ont été déterminés, avant la vaccination et un mois et six mois après.
On n´a pas trouvé d´association, à un niveau significatif de au moins 5%, entre la présence de stress
et la “insuffisant” réponse au vaccin de la grippe, évaluée par le taux d´individus qui ont présenté une
augmentation, à la fin du mois, inférieur à quatre fois la teneur des anticorps par rapport à avant la
vaccination. Cependant , on a trouvé une plus grande proportion d´individus victimes de stress dans
le groupe des participants où il y a eu une baisse de la teneur des anticorps dirigé à la hémaglutinina
AH1 (ac AH1) en T6, après comparaison avec le respectif groupe de contrôle. La différence entre les
groupes a été statistiquement significative lorsqu´on a vérifié la présence de stress grâce à la méthode
de triangulation, en utilisant l´entretien (p=0,006), par la méthode de triangulation en utilisant le
GHQ12 (p=0,045) et en utilisant aussi la combinaison des trois critères (p=0,001). Après une analyse
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multivariée, on a vérifié que l´association entre la présence de stress et la réduction des ac AH1 en T6
a conservé un signifié statistique (respectivement, p=0,010, p=0,042 et p=0,002) et a présenté des
odds ratio ajustés, en fonction de chacune des méthodes de vérification de la présence de stress de
3,643, de 2,733 et de 5,223.
La quantité de travail perçue comme une surcharge constitue le facteur inducteur de stress le plus
souvent cité (58,8% de l´échantillon et 61,8% des infirmiers des unités d´internement), suivi par les
conflits entre professionnels. Le contact avec la souffrance et la mort des patients a été placé en
quatrième position par l´échantillon, mais en deuxième position par les infirmiers des unités
d´internement. Dans ces cas, on a vérifié une association évidente entre le fait de travailler dans des
services où le nombre de patients décédés a été très élevé et la présence de stress, identifiée par la
méthode de triangulation, en utilisant l´entretien (p=0,039), le GHQ12 (p=0,019), l´échelle de fatigue
émotionnelle du MBI-HSS (p=0,012) et en utilisant aussi la combinaison des trois critères (p=0,014).
On a aussi vérifié une association positive entre la présence de stress, identifiée par la méthode de
triangulation, en utilisant l´échelle de fatigue émotionnelle du MBI-HSS et le travail dans des
services d´internement où le pourcentage de malade âgés (p=0,025) et le taux de mortalité ont été
élevés (p=0,036). Malgré tout, on n´a pas trouvé d´association entre l´exposition très fréquente à la
souffrance et à la mort des patients et la réduction de la teneur de ac AH1 en T6. Probablement
l´exposition à ce facteur inducteur de stress, bien qu´elle soit liée à la présence de stress chez les
infirmiers des services d´internement, n´a pas été suffisamment intense pour, en elle-même, être
associée à la réduction de la teneur ac AH1 enT6.
L´association trouvée entre la présence de stress chronique et la réduction de la teneur des anticorps
AH1 en T6 vient renforcer l´hypothèse que le stress pourra influencer négativement la manutention
des teneurs en anticorps même chez les individus adultes jeunes. Donc le risque qu´un infirmier
stressé présente une réduction de la teneur en anticorps dirigés à la hémaglutinina de le composant
AH1N1-A/Solomon Island/3/2006 à la fin des six mois d´études a été 3,6, 2,7 ou 5,2 fois supérieure à
celui d´un infirmier sans stress, après avoir déterminé le critère de stress, respectivement par la
méthode de triangulation utilisant l´entretien, par la méthode de triangulation utilisant le GHQ12 ou
par la combinaison des trois critères. |
| URI: | http://hdl.handle.net/10362/3987 |
| Appears in Collections: | ENSP: SO - Teses de Doutoramento
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