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http://hdl.handle.net/10362/3175
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| Title: | Exposição Profissional a Chumbo: utilização da protoporfirina-zinco (PPZ) na vigilância de saúde de trabalhadores expostos |
| Authors: | Silva, João Manuel Machado Prista e |
| Advisor: | Uva, António Neves Pires de Sousa Mayan, Olga Nilza Bilbao de Sousa |
| Issue Date: | 2002 |
| Publisher: | Escola Nacional de Saúde Pública. Universidade Nova de Lisboa |
| Abstract: | Resumo
Uma estratégia de avaliação e prevenção de riscos na exposição a agentes químicos
deve ter sempre em conta que a vigilância do ambiente de trabalho e a da saúde dos
trabalhadores são aspectos complementares de uma mesma realidade – os riscos
resultantes da interacção entre um agente químico e os trabalhadores a ele expostos.
Se à Vigilância Ambiental compete apreciar o risco, pela caracterização do agente no
ambiente de trabalho, a Vigilância Biológica pronuncia-se sobre a interacção entre o
tóxico e o organismo, avaliando a resposta à agressão química e a evolução das reacções
de adaptação ou de desajuste face à absorção do tóxico. Os Indicadores Biológicos,
deste modo, assumem um estatuto de instrumento privilegiado na vigilância da saúde
dos trabalhadores expostos, na medida em que medem a quantidade de tóxico que
efectivamente penetrou e foi absorvido, ou o resultado (efeito) determinado por essa
mesma dose.
O presente estudo procura contribuir para a definição de um quadro metodológico de
utilização dos Indicadores Biológicos na avaliação/gestão da exposição profissional ao
chumbo, designadamente apreciando a variação da protoporfirina-zinco (PPZ),
indicador até ao presente ainda não utilizado em Portugal.
O chumbo é um metal de ocorrência natural, cujos níveis nos diversos ecossistemas
resultam, principalmente, das actividades antropogénicas de natureza doméstica e
industrial. A sua capacidade poluente é assinalável, representando uma fonte de
exposição permanente para o homem, demonstrável pela sua constante presença no
organismo apesar de não desempenhar qualquer tipo de função fisiológica.
São actualmente inúmeras as suas aplicações, tornando a exposição profissional ao
chumbo uma realidade vasta: indústrias de acumuladores eléctricos, de vidros, de
plásticos e de munições, construção civil, manutenção e reparação automóvel e de
navios, fabrico de tintas, indústrias electrónicas, fundições e actividades de soldadura
são, entre outras, situações onde é uma realidade a ter em conta.
A penetração dos compostos inorgânicos de chumbo no organismo efectua-se
principalmente por via respiratória, não sendo, no entanto, desprezável, a sua penetração
por via digestiva. As partículas absorvidas são transportadas pelo sangue principalmente
ligadas aos eritrocitos (95%), distribuem-se pelos tecidos moles e depositam-se
essencialmente no tecido ósseo, onde representam mais de 90% da carga corporal do
total absorvido e tendo aí um elevado tempo de semi-vida (mais de 20 anos). Não é
metabolizado no organismo e a sua eliminação efectua-se essencialmente por via renal,sendo igualmente excretado, em menor escala, através das fezes, do suor, da saliva, das
faneras e do leite materno.
O conhecimento científico evidencia que concentrações sanguíneas de chumbo entre 20
e 50 mg/dL são susceptíveis de determinar efeitos adversos no homem, podendo ser
afectados o sistema hematopoiético, o sistema nervoso, o sistema cardiovascular, o
sistema reprodutor e o sistema imunitário. Contudo, ainda muito há a clarificar no
âmbito da toxicidade do chumbo. Os níveis de exposição a que correspondem as
alterações nos diversos órgãos e sistemas continuam a ser motivo de alguma
controvérsia. As características carcinogénicas e mutagénicas do chumbo são, ainda, um
campo de vasta exigência de investigação.
A intoxicação por chumbo e seus sais (Saturnismo) de origem ocupacional é
reconhecida em Portugal como doença profissional (grupo 1 - Doenças Provocadas por
Agentes Químicos, da Lista das Doenças Profissionais).
É uma intoxicação do tipo crónico, fruto da absorção contínua de doses relativamente
pequenas durante longo período, evidenciando-se no seu início por sinais e sintomas
vagos e difusos de grande inespecificidade, que podem incluir, nomeadamente, perda de
apetite, sabor metálico na boca, palidez, mal-estar e fadiga, cefaleias, mialgias e
artralgias, irritabilidade, tremores finos, obstipação, cólicas abdominais, insónias, déficit
da memória de curto prazo e da capacidade de concentração.
Um importante conjunto de indicadores biológicos pode ser utilizado na vigilância
periódica da saúde de trabalhadores nestas condições de exposição. Tais indicadores (de
dose ou de efeito), encerram diferentes significados e comportam distintas exigências,
competindo ao Médico do Trabalho, no âmbito dos programas de prevenção dos efeitos
adversos relacionados com a exposição profissional a chumbo, seleccionar a sua
utilização e interpretar a sua informação, de modo a avaliar a interacção do tóxico com
o organismo numa fase de reversibilidade.
O presente estudo envolveu 180 trabalhadores dos quais 110 apresentavam plumbémias
(Pb-S) iguais ou superiores a 40 mg/dL. Além da Pb-S, a todos foi doseada a
protoporfirina-zinco (PPZ) e efectuado o Hemograma e a cerca de 25% foi determinada
a concentração do ácido d-aminolevulínico urinário (ALA-U).
Os doseamentos da PPZ efectuados em amostra de sangue capilar através de um
hematofluorímetro portátil revelaram-se de total fiabilidade, dando significado a uma
técnica de fácil execução e baixo custo.
A avaliação do tipo de colheita urinária para doseamento do ALA-U concluiu pela
necessidade de recurso a urinas de 24 horas.Os resultados do estudo evidenciaram uma elevada associação entre a PPZ e a Pb-S,
com uma maior magnitude e de início mais precoce do que o que registado na
associação da Pb-S com o ALA-U. Revelaram, ainda, fracos níveis de associação da
hemoglobina (e outros parâmetros hematológicos) com a Pb-S. E demonstraram para
um cut-off de 100 mg/dL de PPZ, taxa de falsos negativos e falsos positivos, para
plumbémias a partir de 70 mg/dL, inferiores a 20%.
Assim, concluiu-se que, nos protocolos de vigilância de saúde de trabalhadores expostos
a chumbo, o doseamento da PPZ por hematofluorímetro, em sangue de colheita capilar,
é adequado, fiável e de realização preferencial em relação ao do ALA-U. Concluiu-se,
também, que a realização do hemograma apenas se justifica em situações individuais
que clinicamente o tornem aconselhável. E que estes protocolos devem incluir a
realização da Pb-S e da PPZ, podendo, em situações de controlo rigoroso (ambiental,
biológico e clínico), basear-se apenas na determinação da PPZ reservando os outros
indicadores para aprofundar a investigação médica nos casos de taxas elevadas desta ou
de situações limitantes. ■
Résumée
Une stratégie d’évaluation et de prévention des risques d’exposition aux agents
chimiques doit toujours tenir en considération que la vigilance du lieu de travail et de
la santé des travailleurs sont des aspects complémentaires d’une même réalité – les
risques résultant d’une interaction entre l’agent chimique et les travailleurs exposés.
Si c’est à la Vigilance Ambiantale de juger le risque, par la caractérisation de l’agent
dans le lieu de travail, la Vigilance Biologique, elle, se prononce sur l’interaction entre
le toxique et l’organisme, évaluant la réponse à l’agression chimique et l’évolution des
réactions d’adaptation ou de rupture face à l’absorption du toxique. Les Indicateurs
Biologiques assument ainsi un statut d’instrument privilégié de vigilance de la santé des
travailleurs exposés, dans la mesure où ils déterminent la quantité de toxique qui a
effectivement été pénétré et absorbé, ou le résultat (effet) déterminé par cette dose.
Cette étude-ci cherche à contribuer à la définition d’un cadre méthodologique
d’utilisation des Indicateurs Biologiques dans l’évaluation/gestion de l’exposition
professionnelle au plomb inorganique, évaluant spécialement le comportement de la
protoporphirine-zinc (PPZ), indicateur pas encore utilisé au Portugal.Le plomb est un métal d’occurrence naturelle dont les niveaux dans les différents
écosystèmes en résultent, principalement, des activités anthropogéniques de nature
domestique et industrielle. Sa capacité polluante peut être signalée, représentant une
source d’exposition permanente pour l’homme, celle-ci démontrable par sa présence
continue dans l’organisme, même si elle n’y accomplit aucune fonction physiologique.
Actuellement ses applications sont innombrables, faisant de l’exposition professionnelle
au plomb une réalité de grande ampleur : industries d’accumulateurs électriques, de
verre, de plastique et de munitions, bâtiments, manutention et réparation automobile et
navale, fabrication d’encres, industries électroniques, fontes et activités de soudure sont,
entre autres, des situations réelles a en tenir compte.
La pénétration du plomb inorganique dans l’organisme se fait principalement par voie
respiratoire, pouvant se faire également par voie digestive. Les particules absorbées sont
transportées par le sang, surtout liées aux érythrocytes (95%), se repartent à travers les
tissus mous et se déposent essentiellement dans le tissu osseux, où elles représentent
plus de 90% de la charge corporelle de ce qui a été absorbé et ont un temps de demi-vie
élevé (plus de 20 ans). Le plomb n’est pas métabolisé dans l’organisme et son
élimination se fait essentiellement par voie rénale, pouvant tout de même, à une
moindre échelle, être excrété dans les fèces, de la sueur, de la salive, des ongles, des
cheveux et du lait maternel.
La connaissance scientifique met en évidence que des concentrations sanguines de
plomb entre 20 et 50 mg/dL sont susceptibles de déterminer des effets adverses dans
l’homme, pouvant les systèmes hématopoïétique, nerveux, cardiovasculaire,
reproducteur et immunitaire en être affectés. Cependant, il en reste beaucoup à éclaircir
dans le domaine de la toxicité du plomb. Les niveaux d’exposition auxquels
correspondent les modifications des divers organes et systèmes, demeurent toujours
sujet de quelque controverse. Les caractéristiques carcinogèniques et mutagèniques du
plomb restent toujours un champ d’investigation d’une grande exigence.
L’intoxication par le plomb et ses sels (Saturnisme) d’origine occupationnelle est
reconnue, au Portugal, comme une maladie professionnelle (groupe 1- Maladies
Provoquées par des Agents Chimiques, de la Liste des Maladies Professionnelles).
C’est une intoxication du tipe chronique, due à l’absorption continue de doses
relativement petites pendant une longue période, mise en évidence à travers des signes
et des symptômes vagues et diffus sans grande spécificité, lesquels peuvent inclure,
particulièrement, le manque d’appétit, goût métallique dans la bouche, pâleur, malaise
et fatigue, céphalées, myalgies et arthralgies, irritabilité, tremblements fins,
constipation, coliques abdominales, insomnies, déficit de la mémoire à court terme et de
la capacité de concentration.Un ensemble important d’indicateurs biologiques peut être employé dans la vigilance
périodique de la santé des travailleurs dans ces conditions d’exposition. Ces indicateurs
(de dose ou d’effet) renferment différentes significations et comportent diverses
exigences, devant le Médecin de Travail, dans le domaine des programmes de
prévention des effets adverses qui sont en relation avec l’exposition professionnelle au
plomb, sélectionner son utilisation et interpréter son information de façon à évaluer
l’interaction de l’élément toxique avec l’organisme à un stade de réversibilité.
L’étude ci-présent engloba 180 travailleurs desquels 110 présentaient des plombémies
(Pb-S) égales ou supérieures à 40 mg/dL. À part la Pb-S, la protoporphyrine-zinc (PPZ)
leur a été prise en dosage et un Hémogramme fut effectué et fut déterminé l’acide d-
aminolévulinique urinaire (ALA-U) sur environ 25% des travailleurs.
Le dosage de la PPZ efectué en échantillon de sang capillaire par un fluorimètre
portable, s’est accomplit d’une fiabilité total, donnant du sgnificat à une téchnique de
facile execution et bas prix.
L’évaluation de la prise urinaire par dosage du ALA-U conclut au besoin d’un recours
aux urines de 24 heures
Les résultats de l’étude ont mis en évidence une association élevée entre la PPZ et la Pb-
S, avec une intensité majeure et de début plus précoce par rapport à celui qui fut registré
lors de l’association de la Pb-S avec la ALA-U. Ces résultats ont également montré de
faibles niveaux d’association entre l’hémoglobine (et autres paramètres hématologiques)
et la Pb-S. Ils ont démontré aussi, une valeur de cut-off de 100 mg/dL de PPZ, des taux
de faux négatifs et faux positifs, pour des plombémies de 70 mg/dL, inférieurs à 20%.
On peut donc conclure que dans les protocoles de vigilance de la santé des travailleurs
exposés au plomb, le dosage de la PPZ par fluorimetrie dans le sang capillaire est
adéquat, fiable et de réalisation préférentielle par rapport à celui du ALA-U. On peut
également conclure que la réalisation de l’hémogramme ne se justifie que dans les cas
individuels où, cliniquement, celui-ci est conseillé. De plus, ces protocoles doivent
inclure la réalisation de la Pb-S et de la PPZ, pouvant, en cas de contrôle rigoureux
(ambiantal, biologique et clinique), s’appuyer que dans la détermination de la PPZ
réservant les autres indicateurs pour approfondir l’investigation médicale dans les cas
où les taux de celle-ci sont élevés ou dans les cas de situations limitantes. ■ Summary
Any strategy to evaluate and prevent the risks of chemical agents exposure must always
regard the work environment and workers health as complementary aspects of one
reality - the resulting risks from the interaction between the chemical agent and the
exposed workers.
It is the responsibility of Environmental Monitoring to evaluate the risks of exposure by
the characterization of the chemical agent in the work environment. Biological
Monitoring, on the other hand, pronounces itself over the toxin and body interaction,
evaluating human response to the chemical aggression and the body adaptations to the
toxic absorption. Biological Exposure Indices (BEI) assume, therefore, a privileged
status among exposed workers' health monitoring instruments, as they measure the
actual penetrated and absorbed toxic quantity and the effect it produces.
This research study aims to contribute to the definition of a methodological strategy on
the utilization of BEI’s in evaluating inorganic lead's occupational exposure, more
specifically appreciating the zinc protoporphyrin (ZPP) variation, an index that has
never been taken under consideration in Portugal until now.
Lead is a natural metal whose ecosystem’s levels are mainly due to domestic and
industrial anthropogenic activities. Its pollutant capacity is notable, representing a
permanent exposure risk shown by its constant presence in the human body, although it
has no physiologic function.
Nowadays, lead's applications are countless, turning its professional exposure a huge
reality: storage batteries industries, glass industries, plasterers and munitions industries,
building construction, ships and motor car maintenance and repairing, ink manufacture,
electronics industries, foundries and other soldering activities are, among so many
other, realities to attend to.
Respiration is the main cause of human body's inorganic lead absorption, although
digestive pathway must not to be ignored. The absorbed particles are transported by
blood, essentially bounded to erythrocytes (95%). It is distributed by soft tissues and
settled mainly on bone tissues, where it represents approximately 90% of the total body
charge and has a high half-life time (more than 20 years). It is not metabolized by the
organism, its elimination being effectuated by renal activity and, in smaller scale,
through lees, sweat, saliva, nails, hair and maternal milk.Scientific knowledge shows that concentrations of lead in blood between 20 e 50 mg/dL
are susceptible to determine adverse effects in man and able to affect the hematopoietic
system, the nervous system, the cardiovascular system, the reproductive system and the
immunological system. Nevertheless, there's still much to be learned and clarified about
lead's toxicity. The correlation between exposure levels and human's systems and
organs alteration levels continues to be a centre of controversies. Still, lead's
carcinogenic and mutagenic characteristics continue to be a high demanding research
field.
Intoxication by lead and its compounds (saturnism), from occupational origin, is
recognized in Portugal as an occupational disease, included in Group 1 - Chemical
Agents Caused Diseases, on the Occupational Diseases List.
It is a chronic intoxication caused by a continuous absorption of small doses, throughout
a long period of time. Its signs and symptoms are diffuse and imprecise, of great
unspecificity, such as loss of appetite, metallic flavor in the mouth, paleness, ailment
and fatigue, headaches, myalgia and arthralgia, irritability, thin tremors, constipation,
abdominal pain, insomnias, short memory loses and inability to concentrate.
A considered number of BEI’s can be used in Periodic Health Monitoring of workers in
such exposure conditions. Such BEI (dose indices or effect indices) provide different
meanings and imply different procedures, being Occupational Doctors responsibility, in
the context of lead related adverse effects preventive programmes, to select and
interpret its information, in order to evaluate the interaction between toxic and organism
in a reversible phase of the toxic action.
The present research study involved 180 workers, 110 of which presented blood lead
levels (PbB) above or equal to 40 mg/dL. Besides PbB, all workers has been evaluated
for zinc protoporphyrin levels (PPZ) and submitted to a haemogram. About 25% of the
workers were selected for d-aminolevulinic urinary acid (ALA-U) determination.
The evaluation of PPZ, by a portable hematofluorometer using capillary blood samples,
turned out to be an easy procedure with low costs and total warrantability.
As in regard for ALA-U procedure, it was concluded the necessity of 24 hours urine
samples.
This research results underlined a strong connection between ZPP and PbB, which was
found to to be stringer and to begin earlier than it was registered for PbB and ALA-U
association. The same study also revealed a low association level between PbB and
hemoglobin or other hematological indices. It was also verified less than 20% of false negatives and false positives cases when admitted a ZPP 100 mg/dL cut off value for
PbB³ 70 mg/dL.
As in result it was concluded that in Health Monitoring Programmes of lead exposed
workers, the determination of ZPP in capillary blood using a portable
hematofluorometer is adequate, flyable and of preferentially use regarding to ALA-U. It
was equally concluded that haemogram utilization is only justifiable if the individual
clinical condition demands so. Protocols must include both PPZ and PbB although, in
situations of accurate control (environmental, biological and clinical), ZPP may be
enough and other indices could be reserved for more profound medical investigations,
namely on high level cases or limiting situations. ■ |
| URI: | http://hdl.handle.net/10362/3175 |
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