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http://hdl.handle.net/10362/2783
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| Title: | Política(s) de saúde no trabalho: um inquérito sociológico às empresas portuguesas |
| Authors: | Henriques, Luís Manuel da Graça |
| Advisor: | Uva, António Neves Pires de Sousa Moniz, António Brandão |
| Keywords: | Políticas de saúde Saúde ocupacional Sociologia da saúde Pequenas e médias empresas Segurança no trabalho Higiene no trabalho |
| Issue Date: | 2004 |
| Publisher: | Universidade Nova de Lisboa, Escola Nacional de Saúde Pública |
| Abstract: | Resumo
Política(s) de saúde no trabalho: um inquérito sociológico às empresas portuguesas
A literatura portuguesa sobre políticas, programas e actividades de Segurança, Higiene e Saúde no
Trabalho (abreviadamente, SH&ST) é ainda escassa. Com este projecto de investigação pretende-se
(i) colmatar essa lacuna, (ii) melhorar o conhecimento dos sistemas de gestão da saúde e segurança no
trabalho e (iii) contribuir para a protecção e a promoção da saúde dos trabalhadores.
Foi construída uma tipologia com cinco grupos principais de políticas, programas e actividades: A
(Higiene & Segurança no Trabalho / Melhoria do ambiente físico de trabalho); B (Avaliação de saúde
/ Vigilância médica / Prestação de cuidados de saúde); C (Prevenção de comportamentos de risco/
Promoção de estilos de vida saudáveis); D (Intervenções a nível organizacional / Melhoria do
ambiente psicossocial de trabalho); E (Actividades e programas sociais e de bem-estar). Havia uma
lista de mais de 60 actividades possíveis, correspondendo a um índice de realização de 100%.
Foi concebido e desenhado, para ser auto-administrado, um questionário sobre Política de Saúde no
Local de Trabalho. Foram efectuados dois mailings, e um follow-up telefónico. O trabalho de campo
decorreu entre a primavera de 1997 e o verão de 1998.
A amostra (n=259) é considerada representativa das duas mil maiores empresas do país. Uma em
cada quatro é uma multinacional. A taxa de sindicalização rondava os 30% da população
trabalhadora, mas apenas 16% dos respondentes assinalou a existência de representantes dos
trabalhadores eleitos para a SH&ST.
A hipótese de investigação principal era a de que as empresas com um sistema integrado de gestão da
SH&ST seriam também as empresas com um (i) maior número de políticas, programas e actividades
de saúde; (ii) maior índice de saúde; (iii) maior índice de realização; e (iv) maior percentagem dos
encargos com a SH&ST no total da massa salarial.
As actividades de tipo A e B, tradicionalmente associadas à SH&ST, representavam, só por si, mais
de 57% do total. Os resultados, correspondentes às respostas da Secção C do questionário, apontam,
para (i) a hipervalorização dos exames de medicina do trabalho; e por outro para (ii) o
subaproveitamento de um vasto conjunto de actividades (nomeadamente as de tipo D e E), que são
correntemente levadas a cabo pelas empresas e que nunca ou raramente são pensadas em termos de
protecção e promoção da saúde dos trabalhadores.
As actividades e os programas de tipo C (Prevenção de comportamentos de risco/Promoção de
estilos de vida saudáveis), ainda eram as menos frequentes entre nós, a seguir aos Programas sociais e
de bem-estar (E).
É a existência de sistemas de gestão integrados de SH&ST, e não o tamanho da empresa ou outra
característica sociodemográfica ou técnico-organizacional, que permite predizer a frequência de
políticas de saúde mais activas e mais inovadores.
Os três principais motivos ou razões que levam as empresas portuguesas a investir na protecção e
promoção da saúde dos seus trabalhadores eram, por ordem de frequência, (i) o absentismo em geral;
(ii) a produtividade, qualidade e/ou competitividade, e (iii) a filosofia de gestão ou cultura
organizacional. Quanto aos três principais benefícios que são reportados, surge em primeiro lugar (i)
a melhoria da saúde dos trabalhadores, seguida da (ii) melhoria do ambiente do ambiente de trabalho
e, por fim, (iii) a melhoria da produtividade, qualidade e/ou competitividade.Quanto aos três principais obstáculos que se põem, em geral, ao desenvolvimento das iniciativas de
saúde, eles seriam os seguintes, na percepção dos respondentes: (i) a falta de empenho dos
trabalhadores; (ii) a falta de tempo; e (iii) os problemas de articulação/comunicação a nível interno.
Por fim, (i) o empenho das estruturas hierárquicas; (ii) a cultura organizacional propícia; e (iii) o
sentido de responsabilidade social surgem, destacadamente, como os três principais factores
facilitadores do desenvolvimento da política de saúde no trabalho. Tantos estes factores como os
obstáculos são de natureza endógena, susceptíveis portanto de controlo por parte dos gestores.
Na sua generalidade, os resultados deste trabalho põem em evidência a fraqueza teóricometodológica
de grande parte das iniciativas de saúde, realizadas na década de 1990. Muitas delas
seriam medidas avulsas, que se inserem na gestão corrente das nossas empresas, e que dificilmente
poderão ser tomadas como expressão de uma política de saúde no local de trabalho, (i) definida e
assumida pela gestão de topo, (ii) socialmente concertada, (iii) coerente, (iv) baseada na avaliação de
necessidades e expectativas de saúde dos trabalhadores, (v) divulgada, conhecida e partilhada por
todos, (vi) contingencial, flexível e integrada, e, por fim, (vii) orientada por custos e resultados.
Segundo a Declaração do Luxemburgo (1997), a promoção da saúde engloba o esforço conjunto dos
empregadores, dos trabalhadores, do Estado e da sociedade civil para melhorar a segurança, a saúde e
o bem-estar no trabalho, objectivo isso que pode ser conseguido através da (i) melhoria da
organização e das demais condições de trabalho, da (ii) participação efectiva e concreta dos
trabalhadores bem como do seu (iii) desenvolvimento pessoal.
Abstract
Health at work policies: a sociological inquiry into Portuguese corporations
Portuguese literature on workplace health policies, programs and activities is still scarce. With this
research project the author intends (i) to improve knowledge on the Occupational Health and Safety
(shortly thereafter, OSH) management systems and (ii) contribute to the development of health
promotion initiatives at a corporate level.
Five categories of workplace health initiatives have been identified: (i) Occupational Hygiene and Safety /
Improvement of Physical Working Environment (type A programs); (ii) Health Screening, Medical Surveillance
and Other Occupational Health Care Provision (type B programs); (iii) Preventing Risk Behaviours / Promoting
Healthy Life Styles (type C programs); (iv) Organisational Change / Improvement of Psycho-Social Working
Environment (type D programs); and (v) Industrial and Social Welfare (type E programs).
A mail questionnaire was sent to the Chief Executive Officer of the 1500 largest Portuguese
companies, operating in the primary and secondary sectors (≥ 100 employees) or tertiary sector (≥ 75
employees). Response rate has reached about 20% (259 respondents, representing about 300
companies). Carried out between Spring 1997 and Summer 1998, the fieldwork has encompassed two
direct mailings and one phone follow-up. Sample is considered to be representative of the two
thousand largest companies. One in four is a multinational. Union membership rate is about 30%,
but only 16% has reported the existence of a workers’ health and safety representative.
The most frequent workplace health initiatives were those under the traditional scope of the OSH
field (type A and B programs) (57% of total) (e.g., Periodical Medical Examinations; Individual Protective
Equipment; Assessment of Working Ability).
In SMEs (< 250) it was less likely to find out some time-consuming and expensive activities (e.g.,
Training on OSH knowledge and skills, Improvement of environmental parameters as ventilation, lighting, heating).There were significant differences in SMEs, when compared with the larger ones (≥ 250) concerning
type B programs such as Periodical medical examinations, GP consultation, Nursing care, Other medical and
non-medical specialities (e.g., psychiatrist, psychologist, ergonomist, physiotherapist, occupational social
worker).
With regard to type C programs, there were a greater percentage of programs centred on Substance
abuse (tobacco, alcohol, and drug) than on Other health risk behaviours. SMEs representatives reported very
few prevention-oriented programs in the field of Drug abuse, Nutrition, Physical activity, Off-job accidents,
Blood pressure or Weight control.
Frequency of type D programs included Training on Human Resources Management, Training on
Organisational Behaviour, Total Quality Management, Job Design/Ergonomics, and Workplace rehabilitation. In
general, implementation of this type of programs (Organisational Change / Improvement of Psychosocial
Working Environment) is not largely driven by health considerations.
Concerning Industrial and Social Welfare (Type E programs), the larger employers are in a better
position than SMEs to offer to their employees a large spectrum of health resources and facilities
(e.g., Restaurant, Canteen, Resting room, Transport, Infra-structures for physical activity, Surgery, Complementary
social protection, Support to recreational and cultural activities, Magazine or newsletter, Intranet).
Other workplace health promotion programs like Training on Stress Management, Employee Assistance
Programs, or Self-help groups are uncommon in the Portuguese worksites.
The existence of integrated OSH management systems, not the company size, is the main variable
explaining the implementation of more active and innovative workplace health policies in Portugal.
The three main prompting factors reported by employers for health protection and promotion
initiatives are: (i) Employee absenteeism; (ii) Productivity, quality and/or competitiveness; and (iii) Corporate
culture/management philosophy. On the other hand, (i) Improved staff’s health, (ii) Improved working environment
and (iii) Improved productivity, quality and/or competitiveness were the three main benefits reported by
companies’ representatives, as a result of successful implementation of workplace health initiatives.
(i) Lack of staff commitment; (ii) Lack of time; and (iii) Problems of co-operation and communication within
company or establishment (iii) are perceived to be the main barriers companies must cope with.
Asked about the main facilitating factors, these companies have pointed out the following ones: (i)
Top management commitment; (ii) Corporate culture; and (iii) Sense of social responsibility.
This sociological research report shows the methodological weaknesses of workplace health
initiatives, carried out by Portuguese companies during the last ‘90s. In many cases, these programs
and actions were not part of a corporate health strategy and policy, (i) based on the assessment of
workers’ health needs and expectancies, (ii) advocated by the employer or the chief executive officer,
(ii) planned and implemented with the staff consultation and participation or (iv) evaluated according
to a cost-benefit analysis.
In short, corporate health policy and action were still rather based on more traditional OSH
approaches and should be reoriented towards Workplace Health Promotion (WHP) approach.
According to the Luxembourg Declaration of Workplace Health Promotion in the European Union
(1997), WHP is “a combination of: (i) improving the work organisation and environment; (ii)
promoting active participation; (iii) encouraging personal development”.Résumée
Politique(s) de santé au travail: une enquête sociologique aux entreprises portugaises
Au Portugal on ne sait presque rien des politiques de santé au travail, adoptés par les entreprises.
Avec ce projet de recherche, on veut (i) améliorer la connaissance sur les systèmes de gestion de la
santé et de la sécurité au travail et, au même temps, (ii) contribuer au développement de la promotion
de la santé des travailleurs.
Une typologie a été usée pour identifier les politiques, programmes et actions de santé au travail: A.
Amélioration des conditions de travail / Sécurité au travail; B. Médecine du travail /Santé au travail;
C. Prévention des comportements de risque / Promotion de styles de vie sains; D. Interventions
organisationnelles / Amélioration des facteurs psychosociaux au travail; E. Gestion de personnel et
bien-être social.
Un questionnaire postal a été envoyé au représentant maximum des grandes entreprises portugaises,
industrielles (≥ 100 employés) ou des services (≥ 75 employés). Le taux de réponse a été environ
20% (259 répondants, concernant trois centaines d’entreprises et d’établissements). La recherche de
champ, conduite du printemps 1997 à l’été 1998, a compris deux enquêtes postales et un follow-up
téléphonique.
L´échantillon est représentatif de la population des deux miles plus grandes entreprises. Un quart
sont des multinationales. Le taux de syndicalisation est d’environ 30%. Toutefois, il y a seulement
16% de lieux de travail avec des représentants du personnel pour la santé et sécurité au travail.
Les initiatives de santé au travail les plus communes sont celles concernant le domaine plus
traditionnel (types A et B) (57% du total): par exemple, les examens de médecine du travail,
l’équipement de protection individuelle, les tests d’aptitude au travail.
En ce qui concerne les programmes de type C, les plus fréquents sont le contrôle et la prévention des
addictions (tabac, alcool, drogue). Les interventions dans le domaine de du système technique et
organisationnelle du travail peuvent comprendre les courses de formation en gestion de ressources
humaines ou en psychosociologie des organisations, l’ergonomie, le travail posté ou la gestion de la
qualité totale. En général, la protection et la promotion de la santé des travailleurs ne sont pas prises
en considération dans l’implémentation des initiatives de type D.
Il y a des différences quand on compare les grandes entreprises et les moyennes en matière de
politique de gestion du personnel e du bien-être (programmes de type E, y compris l’allocation de
ressources humaines ou logistiques comme, par exemple, restaurant, journal d’entreprise, transports,
installations et équipements sportifs).
D’autres activités de promotion de la santé au travail comme la formation en gestion du stress, les
programmes d’ assistance aux employés, ou les groupes de soutien et d’auto-aide sont encore très peu
fréquents dans les entreprises portugaises.
C’est le système intégré de gestion de la santé et de la sécurité au travail, et non pas la taille de
l’entreprise, qui aide à prédire l’existence de politiques actives et innovatrices dans ce domaine.
Les trois facteurs principaux qui encouragent les actions de santé (prompting factors, en anglais) sont (i)
l’absentéisme (y compris la maladie), (ii) les problèmes liés à la productivité, qualité et/ou la
compétitivité, et aussi (iii) la culture de l’entreprise/philosophie de gestion. Du coté des bénéfices,
on a obtenu surtout l’amélioration (i) de la santé du personnel, (ii) des conditions de travail, et (iii) de
la productivité, qualité et/ou compétitivité.Les facteurs qui facilitent les actions de santé au travail sont (i) l’engagement de la direction, (ii) la
culture de l’entreprise, et (iii) le sens de responsabilité sociale. Par contre, les obstacles à surmonter,
selon les organisations qui ont répondu au questionnaire, seraient surtout (i) le manque d’engagement
des travailleurs et de leur représentants, (ii) le temps insuffisant, et (iii) les problèmes de
articulation/communication au niveau interne de l’entreprise/établissement.
Ce travail de recherche sociologique montre la faiblesse méthodologique des services et activités de
santé et sécurité au travail, mis en place par les entreprises portugaises dans les années de 1990, à la
suite des accords de concertation sociale de 1991. Dans beaucoup de cas, (i) ces politiques de santé
ne font pas partie encore d’un système intégré de gestion, (ii) il n’a pas d’évaluation des besoins et des
expectatives des travailleurs, (iii) c’est très bas ou inexistant le niveau de participation du personnel,
(iv) on ne fait pas d’analyse coût-bénéfice. On peut conclure que les politiques de santé au travail
sont plus proches de la médecine du travail et de la sécurité au travail que de la promotion de la
santé des travailleurs.
Selon la Déclaration du Luxembourg sur la Promotion de la Santé au Lieu de Travail dans la
Communauté Européenne (1997), celle-ci « comprend toutes les mesures des employeurs, des
employés et de la société pour améliorer l'état de santé et le bien être des travailleurs » e « ceci peut
être obtenu par la concentration des efforts dans les domaines suivants: (i) amélioration de
l'organisation du travail et des conditions de travail ; (ii) promotion d'une participation active des
collaborateurs ; (iii) renforcement des compétences personnelles ». |
| URI: | http://hdl.handle.net/10362/2783 |
| Appears in Collections: | ENSP: SS - Teses de Doutoramento
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