<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" version="2.0">
  <channel>
    <title>DSpace Collection: EE</title>
    <link>http://hdl.handle.net/10362/2223</link>
    <description>EE</description>
    <pubDate>Wed, 19 Jun 2013 16:32:18 GMT</pubDate>
    <dc:date>2013-06-19T16:32:18Z</dc:date>
    <item>
      <title>Distribuição conjunta de determinantes de saúde relacionados com comportamentos : epidemiologia, potencial de prevenção e adequação para promover a efectividade da administração em Saúde Pública</title>
      <link>http://hdl.handle.net/10362/9666</link>
      <description>Title: Distribuição conjunta de determinantes de saúde relacionados com comportamentos : epidemiologia, potencial de prevenção e adequação para promover a efectividade da administração em Saúde Pública
Authors: Dias, Carlos Matias
Abstract: RESUMO - As doenças crónicas são responsáveis pela maior parte das mortes a nível global e em&#xD;
Portugal, e condicionam uma carga importante de incapacidade, utilização de cuidados e&#xD;
despesa em saúde. O consumo de tabaco e de bebidas alcoólicas, a alimentação, e a&#xD;
actividade física, determinantes comuns a muitas doenças crónicas, estão associados a&#xD;
escolhas e a comportamentos potencialmente evitáveis. O conhecimento sobre a sua&#xD;
ocorrência conjunta começa agora a ser valorizado como elemento estratégico na&#xD;
elaboração de políticas, planos e programas de saúde que visam prevenir e controlar a&#xD;
doença crónica. Os princípios comuns para a intervenção sobre estes factores reforçam a&#xD;
pertinência do seu conhecimento e utilização em intervenções efectivas. A epidemiologia&#xD;
da ocorrência conjunta destes factores é desconhecida na população portuguesa.&#xD;
O presente estudo visa contribuir para aumentar e promover o conhecimento sobre a&#xD;
ocorrência e a distribuição conjunta dos quatro principais determinantes de saúde&#xD;
relacionados com comportamentos na população portuguesa, tomados nos seus níveis de&#xD;
risco, e tem como objectivos: 1) caracterizar as distribuições, isoladas e conjuntas,&#xD;
daqueles factores em níveis de risco; 2) construir perfis demográficos e sociais da sua&#xD;
ocorrência conjunta; 3) quantificar a relação desses perfis com indicadores de estado de&#xD;
saúde, designadamente incapacidade física de curta duração, e de utilização de cuidados.&#xD;
Para atingir estes objectivos foi utilizada a base de dados gerada pelo Inquérito Nacional&#xD;
de Saúde realizado em 2005 e 2006 a uma amostra aleatória, probabilística, representativa&#xD;
da população residente em Portugal. Estudaram-se dados relativos às pessoas com idade igual ou superior a 15 anos que responderam aquele inquérito durante o terceiro trimestre&#xD;
do trabalho de campo, período que incluiu todas as variáveis de interesse para o trabalho.&#xD;
A análise foi estratificada segundo categorias de oito variáveis demográficas e sociais&#xD;
(sexo, grupo etário, estado civil de facto, nível de escolaridade, ocupação, grupo&#xD;
profissional e situação face à profissão). Apenas o cálculo das medidas de associação e de&#xD;
impacte entre o número de determinantes em níveis de risco, por um lado, e a alteração do&#xD;
estado de saúde, e utilização de cuidados de saúde, por outro, foi ajustado para potenciais&#xD;
variáveis interferentes. A prevalência da ocorrência conjunta dos quatro determinantes, e&#xD;
as suas associações, foram analisadas através de três métodos: 1) cálculo do número de&#xD;
factores conjuntos nos grupos demográficos e sociais mencionados; 2) cálculo da razão&#xD;
entre as frequências observadas e esperadas de cada factor, e suas combinações; 3) cálculo&#xD;
das Odds Ratio – OR – através de métodos de regressão logística.&#xD;
Para o estudo do impacte dos diferentes perfis de ocorrência dos determinantes sobre&#xD;
indicadores do estado de saúde e da utilização de cuidados de saúde foram calculadas as&#xD;
fracções etiológicas do risco, na população exposta e na população total, visando a&#xD;
estimativa dos correspondentes ganhos potenciais máximos, em caso de intervenção.&#xD;
Os resultados revelaram que os quatro determinantes ocorriam em níveis de risco de forma&#xD;
diferente em cada um dos sexos, bem como nos diferentes grupos de idade, escolaridade e&#xD;
estado civil. Ocorriam, também, de forma diferente nos grupos de ocupação e profissão,&#xD;
afectando de forma mais nítida, geralmente, os grupos menos favorecidos.&#xD;
O factor mais frequente era a actividade física em nível insuficiente para gerar benefícios&#xD;
de saúde, presente em 60% da população (IC95%: 57,7%; 62,1%), seguido pelo consumo&#xD;
de tabaco (21,4%; IC95%: 20,0%; 22,9%), consumo de risco de bebidas alcoólicas (9,2%;&#xD;
IC95%: 8,2%; 10,4%) e alimentação não saudável (8,5%; IC95%: 7,5%; 9,5%). Mais de metade da população revelava a presença de um daqueles factores em níveis de&#xD;
risco (51,8%; IC95%: 50,2%; 53,4%). Seguia-se 16,4% da população com dois (IC95%:&#xD;
15,2%; 17,7%); 3,4% com três (IC95%: 2,8%; 4,0%); e 0,3% com quatro factores&#xD;
(IC95%: 0,2%; 0,6%). A prevalência simultânea de dois ou três factores era, geralmente,&#xD;
maior na população masculina, excepto nos mais jovens (15 a 19 anos) e idosos (85 e mais&#xD;
anos). A ausência dos quatro factores em níveis de risco, ou a presença de um deles, eram,&#xD;
geralmente, mais frequentes na população feminina.&#xD;
A presença de um factor era mais elevada entre a população viúva, em especial masculina,&#xD;
(70,4%; IC95%: 59,3%; 79,5%), na população feminina sem nível de ensino (60,2%;&#xD;
IC95%: 55,2%; 65,0%), na população reformada, nos grupos profissionais mais&#xD;
diferenciados, e no grupo dos trabalhadores por conta própria e empregadores. A presença&#xD;
de dois, ou mais, factores era mais frequente na população masculina, na população&#xD;
separada, ou divorciada, na população mais instruída, entre os desempregados, entre os&#xD;
grupos profissionais mais diferenciados e entre os trabalhadores por conta de outrem.&#xD;
A hierarquização das combinações possíveis da presença dos quatro determinantes em&#xD;
níveis de risco, efectuada segundo a razão entre os seus valores observados (O) e&#xD;
esperados (E), revelou padrões diferentes entre os sexos. Enquanto no sexo masculino o&#xD;
consumo de tabaco, álcool e a alimentação não saudável surgiam com razões O/E&#xD;
elevadas, de forma isolada, no sexo feminino, estes factores ocorriam em conjunto mais&#xD;
frequentemente que o esperado (razões O/E superiores a 1,0).&#xD;
O consumo de tabaco estava associado de forma directa e significativa com o consumo de&#xD;
risco de bebidas alcoólicas, e com a alimentação não saudável, em ambos os sexos. A&#xD;
associação entre o consumo de risco de bebidas alcoólicas e a actividade física insuficiente&#xD;
era inversa no conjunto da população, assim como na masculina, mas não na feminina. O valor mais elevado de OR para as associações entre os quatro determinantes de saúde&#xD;
em níveis de risco observou-se na população feminina, em que a possibilidade de se&#xD;
verificar consumo de risco de bebidas alcoólicas era cerca de 2,9 vezes superior entre as&#xD;
mulheres fumadoras comparativamente às não fumadoras (OR = 2,89; IC95%: 1,98; 4,20).&#xD;
Esta associação era um pouco mais fraca na população masculina, embora estatisticamente&#xD;
significativa (OR = 2,20; IC95%: 1,61; 3,01).&#xD;
Foi notória a ausência de associações estatisticamente significativas entre a actividade&#xD;
física insuficiente para gerar benefícios de saúde e as diferentes combinações de outros&#xD;
determinantes, embora as estimativas pontuais dessas associações se revelassem positivas.&#xD;
O consumo de tabaco e a alimentação não saudável revelaram as associações mais fortes&#xD;
com as diferentes combinações dos outros determinantes, sendo o valor mais elevado o da&#xD;
associação entre o consumo de tabaco e a presença conjunta dos outros três determinantes&#xD;
(OR = 4,28; IC95%: 1,85; 9,88), situação idêntica à verificada no caso do consumo de&#xD;
risco de bebidas alcoólicas (OR = 2,30; IC95%: 1,26; 4,19) e no caso da alimentação não&#xD;
saudável (OR = 2,52; IC95%: 1,33; 4,78).&#xD;
O número médio de dias de incapacidade nas duas semanas anteriores não diferia&#xD;
significativamente entre os grupos da população com diferente número de determinantes,&#xD;
globalmente, e em cada um dos sexos. O número médio de consultas médicas nos três&#xD;
meses anteriores era significativamente maior na população com um ou mais factores em&#xD;
níveis de risco (2,19 consultas; IC95%: 2,10; 2,28), comparativamente à população sem&#xD;
estes determinantes em níveis de risco (1,97 consultas; IC95%: 1,86; 2,08). Esta diferença&#xD;
verificava-se, também, na população feminina, mas não na masculina.&#xD;
Da análise do risco atribuível, assumindo a causalidade dos determinantes, pode afirmarse&#xD;
que se o número de factores em níveis de risco fosse totalmente controlado, (isto é se a prevalência das pessoas com esses factores passasse a ser nula), poder-se-ia, no máximo,&#xD;
evitar que cerca de 32,4% das pessoas com três ou mais determinantes em níveis de risco&#xD;
sofressem incapacidade de curta duração em nível superior à média populacional nas duas&#xD;
semanas anteriores. Este ganho era maior no sexo masculino, em que a redução mais&#xD;
elevada se estimou em 76,0%, no caso dos homens com dois determinantes (Fracção&#xD;
Atribuível nos Expostos = 76,0%; IC95%:70,4%; 81,6%). Considerando a prevalência de&#xD;
conjuntos de determinantes na população total, era igualmente entre os homens com dois&#xD;
factores que se observava o potencial máximo de redução do número de dias de&#xD;
incapacidade (Fracção Atribuível na População = 8,4%; IC95%: 6,3%; 10,5%).&#xD;
Em relação à utilização de cuidados de saúde, a intervenção sobre o grupo da população&#xD;
exposto a um determinante ofereceria uma redução potencial máxima de 41,9% do&#xD;
número de pessoas que reportaram quatro ou mais consultas médicas, reduzindo o volume&#xD;
destes utilizadores muito frequentes consultas médicas (Fracção Atribuível nos Expostos =&#xD;
41,9%; IC95%: 39,9%; 43,9%). Este potencial máximo de prevenção revelou o valor mais&#xD;
elevado na população feminina com presença conjunta de dois determinantes (Fracção&#xD;
Atribuível nos Expostos = 54,3%; IC95%: 52,8%; 55,8%). Considerando a população&#xD;
total, o potencial máximo de redução na utilização muito frequente de consultas médicas&#xD;
observou-se na população feminina com um determinante em nível de risco (Fracção&#xD;
Atribuível na População = 33,5%; IC95%: 31,9%; 35,1%), sendo menor na população de&#xD;
ambos os sexos (Fracção Etiológica na População = 27,7%; IC95%: 26,5%; 28,8%).&#xD;
A origem auto referida dos dados analisados pode ter enviesado os resultados, no sentido&#xD;
da subestimação das frequências obtidas. A paucidade de dados epidemiológicos com base&#xD;
em marcadores biológicos ou biométricos que permitam caracterizar esses factores na&#xD;
população não permite a validação destes dados. A presença, em níveis de risco, de pelo menos um determinante de saúde relacionado com&#xD;
comportamentos em mais de metade da população portuguesa, assim como a distribuição&#xD;
da presença conjunta de dois, três e quatro desses determinantes respectivamente em cerca&#xD;
de 16,4%, 3,4% e 0,3% da população, está de acordo com padrões observados noutros&#xD;
países, e evidencia a pertinência deste primeiro estudo, assim como a necessidade de&#xD;
integração do conhecimento sobre a epidemiologia da ocorrência conjunta de&#xD;
determinantes de saúde preveníveis no planeamento da saúde em Portugal. Os diferentes&#xD;
padrões de ocorrência conjunta nos dois sexos aconselham a inclusão de critérios de&#xD;
género na tradução e operacionalização desse conhecimento em intervenções de Saúde&#xD;
Pública e na prossecução da investigação do tema.&#xD;
As associações directas entre o consumo de tabaco, o consumo de risco de bebidas&#xD;
alcoólicas e a alimentação não saudável reforçam a pertinência da abordagem por&#xD;
conjuntos de factores nas intervenções de Saúde Pública. Os elevados valores de&#xD;
associação entre consumo de tabaco, consumo de álcool em níveis de risco, alimentação&#xD;
não saudável, e a presença conjunta dos restantes factores reforçam esta conclusão.&#xD;
A ausência de associações significativas entre a actividade física insuficiente e os outros&#xD;
três factores pode ter sido condicionada pela dificuldade na medição válida daquele factor&#xD;
através de inquéritos por entrevista. A elevada e crescente prevalência deste factor colocao,&#xD;
para mais, no topo de uma agenda de investigação em saúde, a concretizar em Portugal.&#xD;
No caso da utilização de cuidados, embora o impacte da redução dos níveis de exposição a&#xD;
conjuntos de factores, em função da sua prevalência na população, fosse menor do que o&#xD;
estimado apenas nos expostos, ele era, ainda assim, elevado, indicando a sua utilidade no&#xD;
desenho de estratégias de aumento da efectividade dos cuidados de saúde e da&#xD;
administração em Saúde Pública, através da intervenção sobre grupos de determinantes.</description>
      <pubDate>Sat, 01 Jan 2011 00:00:00 GMT</pubDate>
      <guid isPermaLink="false">http://hdl.handle.net/10362/9666</guid>
      <dc:date>2011-01-01T00:00:00Z</dc:date>
    </item>
  </channel>
</rss>

