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    <title>Política(s) de saúde no trabalho: um inquérito sociológico às empresas portuguesas</title>
    <link>http://hdl.handle.net/10362/2783</link>
    <description>Title: Política(s) de saúde no trabalho: um inquérito sociológico às empresas portuguesas
Authors: Henriques, Luís Manuel da Graça
Abstract: Resumo&#xD;
Política(s) de saúde no trabalho: um inquérito sociológico às empresas portuguesas&#xD;
A literatura portuguesa sobre políticas, programas e actividades de Segurança, Higiene e Saúde no&#xD;
Trabalho (abreviadamente, SH&amp;ST) é ainda escassa. Com este projecto de investigação pretende-se&#xD;
(i) colmatar essa lacuna, (ii) melhorar o conhecimento dos sistemas de gestão da saúde e segurança no&#xD;
trabalho e (iii) contribuir para a protecção e a promoção da saúde dos trabalhadores.&#xD;
Foi construída uma tipologia com cinco grupos principais de políticas, programas e actividades: A&#xD;
(Higiene &amp; Segurança no Trabalho / Melhoria do ambiente físico de trabalho); B (Avaliação de saúde&#xD;
/ Vigilância médica / Prestação de cuidados de saúde); C (Prevenção de comportamentos de risco/&#xD;
Promoção de estilos de vida saudáveis); D (Intervenções a nível organizacional / Melhoria do&#xD;
ambiente psicossocial de trabalho); E (Actividades e programas sociais e de bem-estar). Havia uma&#xD;
lista de mais de 60 actividades possíveis, correspondendo a um índice de realização de 100%.&#xD;
Foi concebido e desenhado, para ser auto-administrado, um questionário sobre Política de Saúde no&#xD;
Local de Trabalho. Foram efectuados dois mailings, e um follow-up telefónico. O trabalho de campo&#xD;
decorreu entre a primavera de 1997 e o verão de 1998.&#xD;
A amostra (n=259) é considerada representativa das duas mil maiores empresas do país. Uma em&#xD;
cada quatro é uma multinacional. A taxa de sindicalização rondava os 30% da população&#xD;
trabalhadora, mas apenas 16% dos respondentes assinalou a existência de representantes dos&#xD;
trabalhadores eleitos para a SH&amp;ST.&#xD;
A hipótese de investigação principal era a de que as empresas com um sistema integrado de gestão da&#xD;
SH&amp;ST seriam também as empresas com um (i) maior número de políticas, programas e actividades&#xD;
de saúde; (ii) maior índice de saúde; (iii) maior índice de realização; e (iv) maior percentagem dos&#xD;
encargos com a SH&amp;ST no total da massa salarial.&#xD;
As actividades de tipo A e B, tradicionalmente associadas à SH&amp;ST, representavam, só por si, mais&#xD;
de 57% do total. Os resultados, correspondentes às respostas da Secção C do questionário, apontam,&#xD;
para (i) a hipervalorização dos exames de medicina do trabalho; e por outro para (ii) o&#xD;
subaproveitamento de um vasto conjunto de actividades (nomeadamente as de tipo D e E), que são&#xD;
correntemente levadas a cabo pelas empresas e que nunca ou raramente são pensadas em termos de&#xD;
protecção e promoção da saúde dos trabalhadores.&#xD;
As actividades e os programas de tipo C (Prevenção de comportamentos de risco/Promoção de&#xD;
estilos de vida saudáveis), ainda eram as menos frequentes entre nós, a seguir aos Programas sociais e&#xD;
de bem-estar (E).&#xD;
É a existência de sistemas de gestão integrados de SH&amp;ST, e não o tamanho da empresa ou outra&#xD;
característica sociodemográfica ou técnico-organizacional, que permite predizer a frequência de&#xD;
políticas de saúde mais activas e mais inovadores.&#xD;
Os três principais motivos ou razões que levam as empresas portuguesas a investir na protecção e&#xD;
promoção da saúde dos seus trabalhadores eram, por ordem de frequência, (i) o absentismo em geral;&#xD;
(ii) a produtividade, qualidade e/ou competitividade, e (iii) a filosofia de gestão ou cultura&#xD;
organizacional. Quanto aos três principais benefícios que são reportados, surge em primeiro lugar (i)&#xD;
a melhoria da saúde dos trabalhadores, seguida da (ii) melhoria do ambiente do ambiente de trabalho&#xD;
e, por fim, (iii) a melhoria da produtividade, qualidade e/ou competitividade.Quanto aos três principais obstáculos que se põem, em geral, ao desenvolvimento das iniciativas de&#xD;
saúde, eles seriam os seguintes, na percepção dos respondentes: (i) a falta de empenho dos&#xD;
trabalhadores; (ii) a falta de tempo; e (iii) os problemas de articulação/comunicação a nível interno.&#xD;
Por fim, (i) o empenho das estruturas hierárquicas; (ii) a cultura organizacional propícia; e (iii) o&#xD;
sentido de responsabilidade social surgem, destacadamente, como os três principais factores&#xD;
facilitadores do desenvolvimento da política de saúde no trabalho. Tantos estes factores como os&#xD;
obstáculos são de natureza endógena, susceptíveis portanto de controlo por parte dos gestores.&#xD;
Na sua generalidade, os resultados deste trabalho põem em evidência a fraqueza teóricometodológica&#xD;
de grande parte das iniciativas de saúde, realizadas na década de 1990. Muitas delas&#xD;
seriam medidas avulsas, que se inserem na gestão corrente das nossas empresas, e que dificilmente&#xD;
poderão ser tomadas como expressão de uma política de saúde no local de trabalho, (i) definida e&#xD;
assumida pela gestão de topo, (ii) socialmente concertada, (iii) coerente, (iv) baseada na avaliação de&#xD;
necessidades e expectativas de saúde dos trabalhadores, (v) divulgada, conhecida e partilhada por&#xD;
todos, (vi) contingencial, flexível e integrada, e, por fim, (vii) orientada por custos e resultados.&#xD;
Segundo a Declaração do Luxemburgo (1997), a promoção da saúde engloba o esforço conjunto dos&#xD;
empregadores, dos trabalhadores, do Estado e da sociedade civil para melhorar a segurança, a saúde e&#xD;
o bem-estar no trabalho, objectivo isso que pode ser conseguido através da (i) melhoria da&#xD;
organização e das demais condições de trabalho, da (ii) participação efectiva e concreta dos&#xD;
trabalhadores bem como do seu (iii) desenvolvimento pessoal.&#xD;
Abstract&#xD;
Health at work policies: a sociological inquiry into Portuguese corporations&#xD;
Portuguese literature on workplace health policies, programs and activities is still scarce. With this&#xD;
research project the author intends (i) to improve knowledge on the Occupational Health and Safety&#xD;
(shortly thereafter, OSH) management systems and (ii) contribute to the development of health&#xD;
promotion initiatives at a corporate level.&#xD;
Five categories of workplace health initiatives have been identified: (i) Occupational Hygiene and Safety /&#xD;
Improvement of Physical Working Environment (type A programs); (ii) Health Screening, Medical Surveillance&#xD;
and Other Occupational Health Care Provision (type B programs); (iii) Preventing Risk Behaviours / Promoting&#xD;
Healthy Life Styles (type C programs); (iv) Organisational Change / Improvement of Psycho-Social Working&#xD;
Environment (type D programs); and (v) Industrial and Social Welfare (type E programs).&#xD;
A mail questionnaire was sent to the Chief Executive Officer of the 1500 largest Portuguese&#xD;
companies, operating in the primary and secondary sectors (≥ 100 employees) or tertiary sector (≥ 75&#xD;
employees). Response rate has reached about 20% (259 respondents, representing about 300&#xD;
companies). Carried out between Spring 1997 and Summer 1998, the fieldwork has encompassed two&#xD;
direct mailings and one phone follow-up. Sample is considered to be representative of the two&#xD;
thousand largest companies. One in four is a multinational. Union membership rate is about 30%,&#xD;
but only 16% has reported the existence of a workers’ health and safety representative.&#xD;
The most frequent workplace health initiatives were those under the traditional scope of the OSH&#xD;
field (type A and B programs) (57% of total) (e.g., Periodical Medical Examinations; Individual Protective&#xD;
Equipment; Assessment of Working Ability).&#xD;
In SMEs (&lt; 250) it was less likely to find out some time-consuming and expensive activities (e.g.,&#xD;
Training on OSH knowledge and skills, Improvement of environmental parameters as ventilation, lighting, heating).There were significant differences in SMEs, when compared with the larger ones (≥ 250) concerning&#xD;
type B programs such as Periodical medical examinations, GP consultation, Nursing care, Other medical and&#xD;
non-medical specialities (e.g., psychiatrist, psychologist, ergonomist, physiotherapist, occupational social&#xD;
worker).&#xD;
With regard to type C programs, there were a greater percentage of programs centred on Substance&#xD;
abuse (tobacco, alcohol, and drug) than on Other health risk behaviours. SMEs representatives reported very&#xD;
few prevention-oriented programs in the field of Drug abuse, Nutrition, Physical activity, Off-job accidents,&#xD;
Blood pressure or Weight control.&#xD;
Frequency of type D programs included Training on Human Resources Management, Training on&#xD;
Organisational Behaviour, Total Quality Management, Job Design/Ergonomics, and Workplace rehabilitation. In&#xD;
general, implementation of this type of programs (Organisational Change / Improvement of Psychosocial&#xD;
Working Environment) is not largely driven by health considerations.&#xD;
Concerning Industrial and Social Welfare (Type E programs), the larger employers are in a better&#xD;
position than SMEs to offer to their employees a large spectrum of health resources and facilities&#xD;
(e.g., Restaurant, Canteen, Resting room, Transport, Infra-structures for physical activity, Surgery, Complementary&#xD;
social protection, Support to recreational and cultural activities, Magazine or newsletter, Intranet).&#xD;
Other workplace health promotion programs like Training on Stress Management, Employee Assistance&#xD;
Programs, or Self-help groups are uncommon in the Portuguese worksites.&#xD;
The existence of integrated OSH management systems, not the company size, is the main variable&#xD;
explaining the implementation of more active and innovative workplace health policies in Portugal.&#xD;
The three main prompting factors reported by employers for health protection and promotion&#xD;
initiatives are: (i) Employee absenteeism; (ii) Productivity, quality and/or competitiveness; and (iii) Corporate&#xD;
culture/management philosophy. On the other hand, (i) Improved staff’s health, (ii) Improved working environment&#xD;
and (iii) Improved productivity, quality and/or competitiveness were the three main benefits reported by&#xD;
companies’ representatives, as a result of successful implementation of workplace health initiatives.&#xD;
(i) Lack of staff commitment; (ii) Lack of time; and (iii) Problems of co-operation and communication within&#xD;
company or establishment (iii) are perceived to be the main barriers companies must cope with.&#xD;
Asked about the main facilitating factors, these companies have pointed out the following ones: (i)&#xD;
Top management commitment; (ii) Corporate culture; and (iii) Sense of social responsibility.&#xD;
This sociological research report shows the methodological weaknesses of workplace health&#xD;
initiatives, carried out by Portuguese companies during the last ‘90s. In many cases, these programs&#xD;
and actions were not part of a corporate health strategy and policy, (i) based on the assessment of&#xD;
workers’ health needs and expectancies, (ii) advocated by the employer or the chief executive officer,&#xD;
(ii) planned and implemented with the staff consultation and participation or (iv) evaluated according&#xD;
to a cost-benefit analysis.&#xD;
In short, corporate health policy and action were still rather based on more traditional OSH&#xD;
approaches and should be reoriented towards Workplace Health Promotion (WHP) approach.&#xD;
According to the Luxembourg Declaration of Workplace Health Promotion in the European Union&#xD;
(1997), WHP is “a combination of: (i) improving the work organisation and environment; (ii)&#xD;
promoting active participation; (iii) encouraging personal development”.Résumée&#xD;
Politique(s) de santé au travail: une enquête sociologique aux entreprises portugaises&#xD;
Au Portugal on ne sait presque rien des politiques de santé au travail, adoptés par les entreprises.&#xD;
Avec ce projet de recherche, on veut (i) améliorer la connaissance sur les systèmes de gestion de la&#xD;
santé et de la sécurité au travail et, au même temps, (ii) contribuer au développement de la promotion&#xD;
de la santé des travailleurs.&#xD;
Une typologie a été usée pour identifier les politiques, programmes et actions de santé au travail: A.&#xD;
Amélioration des conditions de travail / Sécurité au travail; B. Médecine du travail /Santé au travail;&#xD;
C. Prévention des comportements de risque / Promotion de styles de vie sains; D. Interventions&#xD;
organisationnelles / Amélioration des facteurs psychosociaux au travail; E. Gestion de personnel et&#xD;
bien-être social.&#xD;
Un questionnaire postal a été envoyé au représentant maximum des grandes entreprises portugaises,&#xD;
industrielles (≥ 100 employés) ou des services (≥ 75 employés). Le taux de réponse a été environ&#xD;
20% (259 répondants, concernant trois centaines d’entreprises et d’établissements). La recherche de&#xD;
champ, conduite du printemps 1997 à l’été 1998, a compris deux enquêtes postales et un follow-up&#xD;
téléphonique.&#xD;
L´échantillon est représentatif de la population des deux miles plus grandes entreprises. Un quart&#xD;
sont des multinationales. Le taux de syndicalisation est d’environ 30%. Toutefois, il y a seulement&#xD;
16% de lieux de travail avec des représentants du personnel pour la santé et sécurité au travail.&#xD;
Les initiatives de santé au travail les plus communes sont celles concernant le domaine plus&#xD;
traditionnel (types A et B) (57% du total): par exemple, les examens de médecine du travail,&#xD;
l’équipement de protection individuelle, les tests d’aptitude au travail.&#xD;
En ce qui concerne les programmes de type C, les plus fréquents sont le contrôle et la prévention des&#xD;
addictions (tabac, alcool, drogue). Les interventions dans le domaine de du système technique et&#xD;
organisationnelle du travail peuvent comprendre les courses de formation en gestion de ressources&#xD;
humaines ou en psychosociologie des organisations, l’ergonomie, le travail posté ou la gestion de la&#xD;
qualité totale. En général, la protection et la promotion de la santé des travailleurs ne sont pas prises&#xD;
en considération dans l’implémentation des initiatives de type D.&#xD;
Il y a des différences quand on compare les grandes entreprises et les moyennes en matière de&#xD;
politique de gestion du personnel e du bien-être (programmes de type E, y compris l’allocation de&#xD;
ressources humaines ou logistiques comme, par exemple, restaurant, journal d’entreprise, transports,&#xD;
installations et équipements sportifs).&#xD;
D’autres activités de promotion de la santé au travail comme la formation en gestion du stress, les&#xD;
programmes d’ assistance aux employés, ou les groupes de soutien et d’auto-aide sont encore très peu&#xD;
fréquents dans les entreprises portugaises.&#xD;
C’est le système intégré de gestion de la santé et de la sécurité au travail, et non pas la taille de&#xD;
l’entreprise, qui aide à prédire l’existence de politiques actives et innovatrices dans ce domaine.&#xD;
Les trois facteurs principaux qui encouragent les actions de santé (prompting factors, en anglais) sont (i)&#xD;
l’absentéisme (y compris la maladie), (ii) les problèmes liés à la productivité, qualité et/ou la&#xD;
compétitivité, et aussi (iii) la culture de l’entreprise/philosophie de gestion. Du coté des bénéfices,&#xD;
on a obtenu surtout l’amélioration (i) de la santé du personnel, (ii) des conditions de travail, et (iii) de&#xD;
la productivité, qualité et/ou compétitivité.Les facteurs qui facilitent les actions de santé au travail sont (i) l’engagement de la direction, (ii) la&#xD;
culture de l’entreprise, et (iii) le sens de responsabilité sociale. Par contre, les obstacles à surmonter,&#xD;
selon les organisations qui ont répondu au questionnaire, seraient surtout (i) le manque d’engagement&#xD;
des travailleurs et de leur représentants, (ii) le temps insuffisant, et (iii) les problèmes de&#xD;
articulation/communication au niveau interne de l’entreprise/établissement.&#xD;
Ce travail de recherche sociologique montre la faiblesse méthodologique des services et activités de&#xD;
santé et sécurité au travail, mis en place par les entreprises portugaises dans les années de 1990, à la&#xD;
suite des accords de concertation sociale de 1991. Dans beaucoup de cas, (i) ces politiques de santé&#xD;
ne font pas partie encore d’un système intégré de gestion, (ii) il n’a pas d’évaluation des besoins et des&#xD;
expectatives des travailleurs, (iii) c’est très bas ou inexistant le niveau de participation du personnel,&#xD;
(iv) on ne fait pas d’analyse coût-bénéfice. On peut conclure que les politiques de santé au travail&#xD;
sont plus proches de la médecine du travail et de la sécurité au travail que de la promotion de la&#xD;
santé des travailleurs.&#xD;
Selon la Déclaration du Luxembourg sur la Promotion de la Santé au Lieu de Travail dans la&#xD;
Communauté Européenne (1997), celle-ci « comprend toutes les mesures des employeurs, des&#xD;
employés et de la société pour améliorer l'état de santé et le bien être des travailleurs » e « ceci peut&#xD;
être obtenu par la concentration des efforts dans les domaines suivants: (i) amélioration de&#xD;
l'organisation du travail et des conditions de travail ; (ii) promotion d'une participation active des&#xD;
collaborateurs ; (iii) renforcement des compétences personnelles ».</description>
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